MP considera intolerância religiosa em morte de Yá Mucumby, em Londrina

O Ministério Público (MP) de Londrina apresentou denúncia na tarde desta quarta-feira (21) no caso da chacina registrada no dia 3 de agosto na zona oeste da cidade. O promotor Tadeu Algimeri de Lima considerou intolerância religiosa na morte da líder do movimento negro, Vilma Santos de Oliveira, a Yalorixá Yá Mukumby. Além dela, o maquiador Diego Ramos Quirino, 30 anos, ainda vitimou por meio de facadas outras três pessoas, incluindo a própria mãe. A namorada do rapaz conseguiu fugir e não foi ferida no dia do crime.

O rapaz foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado, homicídios consumados qualificados por meio cruel, motivos fútil e torpe, além de uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. Além disso, o MP apontou fanatismo religioso e que a pena pode ser aumentada em um terço já que três dos crimes foram cometidos contra pessoa menor de 14 ou outras duas com mais de de 60 anos.

A mãe do rapaz foi a primeira a ser morta. Ele desferiu golpes de faca contra Ariadne Benck dos Anjos, 48, durante uma discussão com a namorada, Patrícia Amorim Dias, 19. A garota correu para escapar do companheiro e se refugiou na casa de vizinhos. O maquiador então entrou na casa ao lado e assassinou a Yá Mukimby, a mãe dela Allial de Oliveira dos Santos, 86, e a neta, Olivia Santos de Oliveira, de apenas 10 anos. A Polícia Civil tratou o caso como um surto psicótico.

O promotor Tadeu Algimeri de Lima colheu seis depoimentos de pessoas que estiveram com a líder do movimento negro no mesmo dia em que a chacina ocorreu. Segundo foi relatado ao MP, as imagens de santos não teriam sido utilizadas como defesa das vítimas, conforme indicou o inquérito policial. O promotor declarou, inclusive, que os laudos da perícia apontam que as imagens religiosas estavam longe de onde foram encontrados os corpos e sem sinais de terem sido arremessadas.

"Há indícios pelos esclarescimentos prestados e pelo desalinho na cena do crime que indicam essa motivação. Porém, pode ser que isso não seja acatado durante a instrução processual, que é a fase em que todos os indícios são apurados com maior cuidado", comentou. Lima ainda avaliou que se somados os crimes, dependendo das considerações em juízo, Diego Quirino poderá ter pena de mais de 50 anos de reclusão.

O pedido para a realização de um exame de incidente de sanidade mental foi feito para que seja verificado se o acusado, no momento do crime, tinha capacidade de entender a ilicitude do fato. Como o réu segue preso, o promotor acredita que o trâmite para as primeiras audiências deverá ser mais ágil. Por se tratar de crime doloso contra a vida, o processo correrá pela 1ª Vara Criminal de Londrina.

FONTE: O Diário.com em 21/08/2013




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