segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Muçulmanos estão entre as principais vítimas de intolerância religiosa no Rio


Fernando Frazão/Agência Brasil

Insultos, cusparadas, pedradas e ameaças de morte são algumas das denúncias de agressões contra muçulmanos no Rio de Janeiro nos últimos meses.

Depois dos adeptos das religiões de matriz africana, os seguidores do islã são os que mais sofrem com a intolerância religiosa no estado, segundo o Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos e Assistência Social. Desde janeiro, pelo menos uma denúncia é recebida mensalmente. A estimativa é que haja 2 mil muçulmanos vivendo no Rio.

Os números destoam dos demais estados do Brasil. Apenas cinco denúncias de Islamofobia foram feitas ao Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. As mulheres, mais facilmente identificadas nas ruas pelo uso do véu, são as principais vítimas de violência.

A aeromoça Ana Cláudia Mascarenhas, 43 anos, levou um soco de um homem após ser xingada de terrorista em pleno centro da cidade.

A Lei 7.716, de 1989, protege fiéis de todas as crenças, prevendo cadeia para quem cometer crimes de intolerância religiosa. De acordo com o assessor de Comunicação da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (SBMRJ), Fernando Celino, muitos policiais não são treinados para identificar crimes de intolerância religiosa.

Segundo Celino, uma muçulmana que frequentava a mesquita já fez dois boletins de ocorrência contra o vizinho que a ameaçou de morte mais de uma vez, mas os policiais tratam o caso como briga de vizinho. "Por isso, o assédio continua. Há muitas delegacias que tipificam um caso desse de forma errada, como calúnia, injúria ou qualquer outra coisa, sem dar a real importância, tratando como um crime menor.”

Fernando Celino informou que outro caso de intolerância ocorreu no início do ano, quando um motorista de ônibus expulsou a passageira, dizendo que não transportava mulher-bomba. Também neste ano, uma professora de inglês teve o emprego ameaçado por pais de alunos que pediram ao dono do curso para que a demitisse, pois não queriam "mulher de Bin Laden" dando aulas para os filhos.

“Outra muçulmana foi tema de reunião de condomínio. Os moradores queriam a saída dela e de sua família do prédio por medo de que escondessem bombas. Somos um estado muito acolhedor quando o assunto é samba e turismo, mas não aceitamos o novo”, criticou Lorrama. O fato mais recente foi de apedrejamento, seguido de cusparadas a uma moça em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.

A atendente de telemarketing, Ana Carolinha Jimenez, 22 anos, também passou pela humilhação de ser atingida por uma cusparada. “Estava no ponto de ônibus. Alguns jovens no ônibus começaram a falar bobagem e a me xingar. Quando o ônibus partiu, eles cuspiram. Senti uns respingos, limpei e continuei olhando para frente.”

Se as agressões físicas não são rotina, o desrespeito é diário. “Ouço risadas pelo menos uma vez por dia. As pessoas apontam, se cutucam. A maioria acha que nem somos brasileiras. A primeira coisa que falam é: 'volta para seu país'”, disse Ana Cláudia.

De acordo com a coordenadora do centro, mais de 90% das vítimas são brasileiras natas, que se converteram ao islamismo na idade adulta.

Mercado de trabalho

O preconceito também é um obstáculo para as mulheres no mercado de trabalho. Ana Carolina passou por cinco entrevistas e em todas a retirada do véu durante o trabalho era pré-condição para a contratação. “Fiz vários cursos de especialização em secretariado executivo e sou fluente em inglês. As pessoas gostam do meu currículo, mas querem que eu tire o véu, mesmo eu afirmando que ele não atrapalha meu desempenho. Para mim, é como seu tivesse de trabalhar de sutiã. O véu não é um acessório para a cabeça.”

Após mais de 100 currículos distribuídos e um anos depois, ela conseguiu emprego como assistente de telemarketing. “Para mim, é frustrante, mas sou grata a essa oportunidade, pois estava precisando.”

Ana Cláudia trabalha sem o véu a contragosto. Como está na empresa há muitos anos e essa é a principal renda da família, não tem como abdicar do emprego. “A vestimenta faz parte da religião. Até tentei levar isso adiante, mas sou a única muçulmana na empresa. Saio do avião e coloco o véu. Para mim é muito difícil.”

Dossiê

As denúncias se intensificaram em 2015, de tal modo que, em julho, o centro encaminou aos ministérios Públicos federal e estadual um dossiê elaborado pela SBMRJ sobre casos de islamofobia pela internet. O documento também foi entregue à Polícia Civil e Delegacia de Crimes de Internet e à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. A Polícia Civil e o Ministério Público já começaram a investigar o caso.

No documento, são denunciados páginas e vídeos na internet que atacam a religião islâmica com inverdades sobre Maomé, principal profeta do Islã. Há fotos de muçulmanos brasileiros, acusados de terroristas. Ainda segundo o dossiê, a maioria das páginas afirma que o terrorismo é algo intrínseco ao islã.

Conforme o dossiê, em uma das páginas, a circuncisão é descrita como mutilação imposta pelo iIslã às mulheres, "quando, na verdade, é recomendada pela religião aos homens". Em outra página, há uma referência inexistente no Alcorão de que o islã permite o estupro. Segundo a SBMRJ, esse tipo de iniciativa contribui para que mulheres muçulmanas sejam agredidas.

Coordenador de Diversidade Religiosa do governo federal, Alexandre Brasil Fonseca informou que o Ministério da Justiça, em pareceria com outros ministérios e órgãos do governo, já se mobilizou para apurar as denúncias.


“O caso está sendo investigado por um grupo de trabalho de combate a crimes de internet. Como Estado, é importante garantir essa atividade religiosa, assim como combater as ações de preconceito e discriminação, que, infelizmente, temos notificado.” Fonseca destacou que cerca de 35 mil pessoas se declararam seguidores do islamismo no Censo de 2010.

O governo do Rio lançará uma campanha até o fim do ano para combater atos de intolerância e violência contra muçulmanos. A campanha é fruto de uma articulação entre as secretarias de Direitos Humanos e Assistência Social e das Mulheres e do Trabalho.

“Prezamos muito a paz, a confraternização e o bom relacionamento com as pessoas, o contrário do que dizem do islã. Respeitamos todos, mas não somos respeitados”, disse a jovem Ana Carolina.

"Temos uma ótima relação com todas as religiões. E temos um interesse em comum, que é o direito constitucional à liberdade de crença. Não pedimos nada além disso", concluiu Fernando Celino.

FONTE: Agência Brasil. Por Flávia Villela Edição:Armando Cardoso.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Quase mil casos de intolerância religiosa foram registrados no Rio em dois anos

Quase mil casos de intolerância religiosa foram registrados pelo Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos (Ceplir) no estado do Rio de Janeiro, em dois anos e meio. Entre julho de 2012 e dezembro de 2014, foram registradas 948 queixas. As denúncias envolvendo intolerância contra religiões afro-brasileiras totalizaram 71% dos casos.

Os dados estão em um relatório preliminar divulgado hoje (18) pela organização não governamental Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR), em audiência pública na Assembleia Legislativa do estado (Alerj).

Outro dado mostrado pelo relatório é que, de janeiro de 2011 a junho de 2015, o Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República recebeu 462 denúncias sobre discriminação religiosa.

O documento também mostra que a intolerância religiosa virtual vem ganhando destaque nos registros das denúncias, o que demanda a atenção das autoridades para caracterizar juridicamente as situações apresentadas e definir as devidas punições aos infratores.

Presente à audiência, o deputado estadual Átila Nunes (PSL) destacou a importância de se ter uma delegacia especializada no combate à intolerância, devido à grande dificuldade de registro dos casos de discriminação religiosa em delegacias policiais. "Quase todo mês temos flagrantes de perseguição religiosa. O que temos no Rio de Janeiro é quase um pequeno Estado Islâmico. Hoje, eu só acredito na força da lei através da criação de uma delegacia especializada para esses casos e na ação da Polícia Civil contra os fanáticos."

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Marcelo Freixo (PSOL), os crimes de ódio têm de ser enfrentados e é preciso pensar em formas preventivas. Para ele, falta vontade política para combater esses crimes. "É importante que os boletins de ocorrência tenham um espaço para deixar claro que o crime tenha alguma motivação de intolerância religiosa", acrescentou.

Como forma de promover a paz, o respeito e o combate à intolerância religiosa, a comissão promoverá no Posto 6 da Praia de Copacabana a 8ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, no dia 20 de setembro às 11h.

FONTE: EBC Agência Brasil em 18/08/2015

Homem quebra braço e ameaça cortar pescoço de Santo no Sertão da Paraíba


Nesse sábado (15), policiais militares do pelotão de Coremas receberam um pedido de ajuda inusitado: um popular flagrou um homem danificando uma estátua pública de Padre Cícero e solicitou ajuda da PM para conter a fúria do agressor contra a imagem do padre, considerado santo por muitas pessoas.

Desequilibrado emocionalmente em função de embriaguez alcoólica e armado com um tubo de ferro, José Valdez de Paula da Silva, 36 anos, arrancou o braço da imagem que sustentava a bengala e perfurou outras partes da imagem religiosa.

O acusado reside na Rua João Fernandes de Lima, nas proximidades do cemitério local, artéria onde também está localizada a estátua. Preso em flagrante, ele foi encaminhado para a delegacia de Itaporanga por falta de xadrez na sede da Polícia Civil de Coremas. “Aqui na delegacia, ele disse que, quando saísse da prisão, iria arrancar também a cabeça do Padre Cícero”, comentou um agente de investigação.

O homem tentou justificar a ira contra a estátua dizendo informalmente aos policiais que era de outra Igreja, mas a polícia acredita que o motivo do dano não foi intolerância religiosa, mas, sim, desequilíbrio emocional. Ele foi autuado por dano ao patrimônio pelo delegado plantonista Raphael Alves, que arbitrou uma fiança de mil reais ao acusado, mas, como ele não pode pagar a quantia, foi recolhido à cadeia de Coremas.

Conforme o delegado, o homem permaneceu calado durante o interrogatório e, além de sofrer a ação penal, poderá ser obrigado ainda a reparar o prejuízo que causou à estatua, que está situada em um espaço público e é venerada por muitas pessoas na cidade.

FONTE: Diário do Sertão em 16/08/2015

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Audiência pública na Alerj vai discutir intolerância religiosa com Freixo e Beltrame

Muito se falou do caso Kailane Campos, menina de 11 anos, que foi vítima de intolerância religiosa, dia 14 de Junho, no Subúrbio do Rio, e ainda nessa frente, o interlocutor da CCIR (Comissão de Combate a Intolerância Religiosa) Babalawo Ivanir dos Santos, apresenta um documento, que tem por objetivo evidenciar situações de preconceito, discriminação, violência verbal e física inseridas no campo da intolerância religiosa no Brasil. E a partir dos casos relatados, estudos, pesquisas, entre outros modos, contribuir para a implantação do Plano Nacional de Liberdade Religiosa.

O Relatório centraliza-se no desafio da Intolerância Religiosa, apresentando as diferentes visões das instituições que integram a CCIR.

A pesquisa está pautada em dez documentos elaborados entre 2004 a junho de 2015, encaminhados a CCIR com o objetivo de mostrar a intolerância religiosa como um processo histórico no Brasil e no mundo. Para isso, foram selecionados casos obtidos em registros administrativos, narrativas, depoimentos, entrevistas, notícias e mídias impressa e virtual. As unidades espaciais vão desde a escala local, municipal, estadual, regional e nacional.

Como metas:

- Explicitar os diversos casos de intolerância religiosa;

- Tornar público a necessidade de uma intervenção no processo;

- Contribuir para a defesa da garantia dignidade de ser da pessoa humana;

- Expandir o debate relativo à pluralidade religiosa e a liberdade de culto no país;

- Contribuir para construção de bases de dados, compatibilizando as diversas fontes de informação sobre o desafio da liberdade religiosa;

- Criar possibilidades para o diálogo multi-religioso no país.

Apontamos casos que mais chamam atenção: Em 2015, em pleno século XXI, no RJ, uma pedrada atinge uma menina, pelo simples motivo de está com vestuário de camdomblé, ou seja, vestida toda de branco.

Caso AABB - No interior do Clube AABB Lagoa, realizavam-se as Macabíadas (jogos olímpicos que reúnem clubes e colégios judaicos de todo o país). Numa das dependências do clube onde havia um aparelho de televisão, um sócio do clube, descontente com a locação para a comunidade judaica, travou uma agressiva discussão com um grupo de crianças vindas de SP em razão da discordância quanto ao canal que desejava assistir. Nesta discussão, o Querelado proferiu ofensas de cunho antissemita contra as crianças, chamando diversas vezes de "judeus filhos da puta"" e dizendo "eu sou muçulmano e odeio vocês!" e "vocês têm que morrer!".

Outro caso - Uma semana após o assassinato dos cartunista francês Charlie Hebdo, a professora de teatro Sarah Ghuraba, muçulmana de 27 anos, caminhava para a consulta médica quando levou uma pedrada na perna. Junto ao ataque físico veio o verbal: "muçulmana maldita!", disse o desconhecido, que a atacou somente por ser muçulmana e, logo em seguida, fugiu correndo. Ao relatar o caso no Facebook, para alertar outras muçulmanas para que tivessem cuidado, recebeu algumas mensagens solidárias, mais várias outras ofensivas: "falaram que eu deveria ter levado um tijolo na cabeça e outros prometeram terminar o trabalho. É assustador. Será que uma muçulmana brasileira precisa morrer para entenderem que existe islamofobia no Brasil? (...)"

Em 21 de janeiro de 2009 - a Ialorixá Gildásia dos Santos (Mãe Gilda), faleceu de infarto fulminante ao ver sua foto estampada na capa do Jornal Folha Universal, com o título: Macumbeiros Charlatões lesam o bolso e a vida de clientes.

Caso Ana Amélia Mello Franco - A Federação Israelita do Rio de Janeiro ingressou com uma notícia-crime perante o Ministério Público Federal contra a então candidata a deputada estadual Ana Amélia Mello Franco, pelo Partido Popular Socialista (PPS), em virtude de postagens antissemitas feitas em seu perfil pessoal na rede social Facebook, entre os dias 24 e 28/07/2014.

Caso Jornalista Pedro Costa (data...) - moradores de condomínios vizinhos, na Barra da Tijuca, envolvidos em uma controvérsia em torno do uso de uma servidão de acesso à praia, cuja abertura fora obtida na Justiça. Certa vez, o Querelado, começou a destruir o muro que impedia o acesso do condomínio Varandas à servidão. O fato chamou a atenção de moradores do outro condomínio, que, ao se dirigirem para o local e pedirem para que parasse de destruir o muro, foram verbalmente ofendidos por Pedro Costa, que começou a esbravejar diversas ofensas contra as vítimas e todos os moradores de origem judaica, além de outros de origem não judaica.

Em Goiás, Maio de 2012 - O jovem Rafael de Araújo Teixeira de 19 anos, que se dizia da "Igreja de Cristo", tentou quebrar a marretadas a imagem de uma santa católica que havia sido colocada pela prefeitura da cidade de Águas Lindas de Goiás na Avenida JK, na entrada do Jardim Brasília.

Já em Manaus - em novembro de 2012 - Representantes da Secretaria de Educação do Estado do Amazonas (Seduc) se reuniram com a direção da Escola Estadual Senador João Bosco, em Manaus, para discutir sobre os alunos evangélicos que se negaram a fazer um trabalho sobre a cultura africana. Os alunos entendem que o trabalho passado a eles "faz apologia ao satanismo e ao homossexualismo", proposta que contraria a crença deles.

Esses e muitos outros casos serão apresentados. Essa é a oportunidade de dar conhecimento acerca de casos de intolerância religiosa e discriminação à sociedade brasileira na audiência pública. Direcionado para a Sociedade Civil, Imprensa e Parlamentares.

A frente de estudo: Ivanir dos Santos, mobilizador e coordenador da equipe do "Relatório de Intolerância Religiosa. A Visão da CCIR e Visões das instituições que integram a CCIR". Brasileiro, carioca, cor preta, gênero masculino, candomblecista, 61 anos. Interlocutor CCIR; Conselho Executivo do CEAP; Mestrando em História Comparada UFRJ; Conselho Consultivo Cais do Valongo; Pesquisador do LHER.

- Graças Nascimento, brasileira, carioca, cor parda, gênero feminino, sem definição de religião, 66 anos - Coordenadora do Movimento Inter religioso do Rio de Janeiro - MIR; Graduada em Estatística na Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE; Msc. Engenharia de produção COPPE-UFRJ (1976); Integrante da CCIR; Consultora em planejamento estratégico.

- Juliana Cavalcanti, brasileira, carioca, cor parda, gênero feminino, católica, 24 anos. Pesquisadora do laboratório de historia das experiências religiosas (LHER/UFRJ); Bacharel e Licenciada em História e mestranda em História Comparada (PPGHC/ UFRJ).

- Mariana Gino, brasileira, de Juiz de Fora, cor preta, gênero feminino, sem definição religiosa, 28 anos. Professora de Ensino Religioso, especialista em ciência da religião UFJF, Bacharel em Teologia ITASA-CES/JF, Bacharel em História UFJF, licenciada em história UFJF, integrante dos grupos de pesquisas Afrikas-UFJF e Religião e Modernidade PUC-MINAS, membro do setor de comunicação do coletivo CANDACES - Organização de Mulheres Negras e Conhecimento.

- Vítor Almeida, brasileiro, carioca, cor preta, gênero masculino, sem definição religiosa, 31 anos. Pesquisador do laboratório de historia das experiências religiosas (LHER/UFRJ); Bacharel em História e mestre e doutorando em História Comparada UFRJ.

Audiência Pública, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ)

Nesta terça-feira, dia 18 de agosto - Das 10h, às 13h

Rua: Primeiro de Março, s/n - Centro/Praça XV

Intolerância Religiosa X Democracia.

Tema: Entrega do relatório da Comissão de combate a Intolerância Religiosa

A mesa será composta com

- Marcelo Freixo - Dep Estadual e Pres. da Comissão de defesa dos direitos humanos e cidadania da ALERJ

- Marta Rocha - Dep. Estadual e Presidente da Comissão de segurança e assuntos de policia da ALERJ

- Fernando Veloso - Chefe da Policia Civil

- José Mariano Beltrame - Secretaria Estadual de Segurança Publica

- Márcio Mothé - Sub promotoria de direitos humanos do Ministério Público

- Fábio Amado Barreto - Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública

- Teresa Cosentino - Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos

- Ivanir dos Santos - interlocutor da CCIR

Além de convidados como Kátia Marinho (Yalorixá / avó Kailane Campos) / Diácono Nelson - Igreja Católica / Sami - Associação Beneficente Muçulmana / Reverendo Marcos Amaral - Igreja Presbiteriana / Pastora Lusmarina - CONIC / Paulo Maltz - Presidente da FIERJ - Federação Israelita do Rio de Janeiro.

CCIR - Comissão de Combate à Intolerância Religiosa

CEAP - Centro de Articulação de Populações Marginalizadas

CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

MIR - Movimento Inter religioso do Rio de Janeiro

FONTE: Jornal do Brasil em 15/08/2015

Terreiro de candomblé é atacado e polícia vai investigar intolerância religiosa na PB

Um grupo de pessoas adeptas da religião candomblé denunciou, na manhã deste sábado (15), na Central de Polícia de Campina Grande, um ato de vandalismo que eles interpretam também como manifestação de intolerância religiosa.

De acordo com o babalorixá Antônio Caldas, um terreiro no bairro Jardim Borborema, na Zona Sul da cidade, foi atingido por pedradas durante a realização de um Fórum de Diversidade Religiosa.

Segundo o líder religioso, este não foi o primeiro ataque contra a casa de candomblé. “Sempre que nós realizamos algum evento acontecem essas manifestações de preconceito. Já jogaram bombas, pedras e até coquetel molotov”, conta.

Ainda conforme o babalorixá, uma vizinha testemunhou o momento do ataque, mas se negou a contar a polícia quem é o vândalo por temer represálias. Antônio Caldas disse ainda que já acionou uma advogada e pede que a polícia abra um inquérito para investigar o caso de intolerância religiosa.

No Brasil, demonstrações de ódio e críticas desrespeitosas a hábitos, símbolos e cultos religiosos são considerados crimes que ferem a liberdade e dignidade humana. A pena prevista para quem hostilizar uma pessoa em razão de credo religioso é de um a três anos de prisão, além do pagamento de multa.

FONTE: Portal Correio em 15/08/2015

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Após ataques a templos, crimes de intolerância religiosa são investigados

Delegado Luciano Inácio irá investigar crimes motivados
por intolerância religiosa em Mato Grosso
(Foto: Lenine Martins/Sesp-MT)


Um setor exclusivo para investigar crimes motivados por intolerância religiosa foi criado nesta quinta-feira (13) pela Polícia Civil em Mato Grosso. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT), o delegado Luciano Inácio da Silva foi designado para investigar os crimes. A polícia não tem um número oficial de casos de intolerância no estado.

O secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, assinou uma portaria oficializando a criação do setor para investigações. O documento ainda deve ser publicado no Diário Oficial do Estado (DOE). Líderes e representantes de centros espíritas, candomblé e umbanda também participaram da reunião. Os religiosos procuraram a secretaria para cobrar maiores investigações em supostos crimes praticados contra os grupos e templos religiosos.

Para o representante e presidente da Federação Nacional de Umbanda e Cultos Afro Brasileiro (Fenucab), Aécio Paniagua Montezuma, a falta de interpretação das próprias autoridades e desconhecimento sobre as religiões são os principais problemas enfrentados.

“Aqui em Mato Grosso está ocorrendo invasão de terreno, invasão de templos religiosos, além de pessoas que destruíram imagens e invadiram o nosso território sagrado. Na semana passada tivemos dois casos onde as casas foram destruídas. Não é mais dano e invasão, isso já é intolerância religiosa”, disse Montezuma.

Um dos casos citados pelo representante ocorreu no final de julho em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá.Vândalos invadiram o Centro Espírita Associação A Caminho da Luz e atearam fogo no local. Nenhuma pessoa foi presa ou identificada.

Em Cuiabá, no dia 1º de agosto, uma casa que realizava cerimônia de umbanda teve parte da estrutura queimada. “Esse setor que foi criado vai pelo menos ser um ponto de referencia para aqueles que estão sofrendo qualquer tipo de intolerância. Não necessariamente as pessoas vão ter que ir pra terreiro ou candomblé. Conhecendo já basta, pois aí a pessoa não vai mais criticar ou ter um ato de intolerância”, opinou Montezuma.

O setor vai funcionar em horário comercial dentro da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, localizada na Avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha), região central da capital mato-grossense.

“Às vezes na delegacia esses casos de intolerância religiosa eram registrados como briga, discussão ou invasão, quando na verdade se tratava de algo mais sério. Dessa forma, criamos o setor de atendimento de crimes praticados contra a intolerância religiosa. Os grupos alegavam que os crimes eram tratados como crimes comuns”, disse o secretário Mauro Zaque.

Conforme o secretário, mesmo que os crimes sejam registrados em outras delegacias, eles devem ser redirecionados para o setor de investigação exclusivo na DHPP. “Entendo que as religiões de origem africana talvez sejam desconhecidas até de certa forma agredidas. Eu quero entender e compreender a religião e poder tomar as medidas para centralizar as denúncias e informações de onde estão vindo esses ataques”, declarou o delegado nomeado para o setor, Luciano Inácio.

A pena para esse tipo de crime, segundo o delegado, varia entre 1 a 3 anos de prisão.

FONTE: Portal G1 em 13/08/2015

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Mãe de santo acredita em intolerância religiosa após centro ser depredado


A mãe de santo Rejiane Varjão sofreu violência no seu centro em Santo Antônio do Descoberto, em Goiás. Desde sua conversão ao candomblé, há 18 anos, sempre presenciou olhares de reprovação e ouviu ofensas por conta de sua religião, mas nunca havia sofrido tal ato. "Quebraram tudo: os santos, as imagens, e ainda levaram louça, talheres. Tive um prejuízo de cerca de R$ 30 mil. Candomblé é uma religião cara", lamentou.

A mulher relata que, por volta das 18h, uma vizinha telefonou informando que um grupo de quatro homens encapuzados estava depredando o lugar. Rejiane correu para o local com o marido, Edvaldo do Nascimento, babalorixá, e encontraram as portas e janelas arrancadas.

"Tenho esse centro há cinco anos e hoje recebemos 69 filhos, de crianças a idosos. Lembro que, tanto durante a construção como nas nossas festas, uma pessoa reclamava, falava que tínhamos que aceitar Jesus, mas não desconfiamos de ninguém. Sempre sofri agressões verbais", afirma ela, que acredita em intolerância religiosa.

De acordo com o delegado Felipe Socha, do Centro Integrado de Operações de Segurança de Santo Antônio do Descoberto (Ciops), onde o caso foi registrado, é difícil identificar os culpados sem mais detalhes. "Em três anos que estou aqui, nunca vi um caso parecido num centro de candomblé, mas vi em igreja evangélica", lembrou ele.

FONTE: SRZD em 07/08/2015