segunda-feira, 23 de maio de 2016

Salvador forma primeira turma de empreendedores em terreiros de candomblé

Depois de duas semanas intensas de atividades, com mais de 12 horas de total imersão no mundo do empreendedorismo, a Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Emprego (Sedes), em parceria com o Sebrae, realizou na noite desta quinta-feira (19) a formatura da primeira turma de um projeto inovador na área de empreendedorismo, que busca fomentar e estimular ações empreendedoras em terreiros de candomblé. Em solenidade realizada no Espaço Cultural da Barroquinha, 300 participantes receberam certificado de conclusão do curso.

O evento de encerramento contou com a presença do gestor de Projetos do Sebrae, Fabrício Barreto, da subsecretária da Sedes, Adriana Campelo, da Mãe Jaciara, do Axé Abassá de Ogum, e da coordenadora do projeto, Nívia Santana.

”A iniciativa foi muito interessante. A gente pôde ver e acompanhar o desenvolvimento das turmas despertando o empreendedorismo, inclusive veiculando suas atividades já praticadas através das qualificações nos terreiros. Com certeza isso será transformado em resultados na geração de emprego e renda”, afirmou Fabricio Barreto. De acordo com Adriana Campelo, a iniciativa será estendida a outros terreiros da capital baiana.

“Vamos continuar com esse treinamento em outras casas de axé. Esse primeiro momento foi para jogar uma luz, porque mais trabalho precisa ser feito e estamos dispostos a avançar para a segunda fase dessa iniciativa”, disse a subsecretária. Segundo a coordenadora do projeto, a ação foi realizada em dez bairros da cidade e a próxima fase começa em junho, com o acompanhamento e consultoria para quem quer abrir um negócio.

FONTE: Tribuna da Bahia em 20/05/2016

Agenda de eventos marca o Dia da África, comemorado no dia 25 no Rio

Para começar, lançamento da Coordenadoria de Experiências Religiosas Tradicionais Africanas, Afro-Brasileiras Racismo e Intolerância Religiosa, com diversas atividades, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, no Largo São Francisco de Paula, no Centro. O diaenglobará palestras, apresentação da coordenadoria e dos membros. A grade pontuará com mesa de debate, danças, barracas com iguarias, vestuário, acessórios afros, shows, cinema e outros. O encontro pretende recebe em torno de 1.500 pessoas.

O projeto ganha força e já traz parcerias contundentes, vem apoiada pelo IV Encontro Sociocultural, Econômico e Político. Que esse ano aborda o tema: Questões de África “Uma herança histórica e seus reflexos na sociedade contemporânea”. O encontro traz para o dia: mobilização de alunos e professores.

A Coordenadoria Experiências religiosas tradicionais africanas, afro-brasileiras, racismo e intolerância religiosa, vinculada ao Laboratório de História das Experiências Religiosas (LHER), foi criada a partir dos trabalhos conjuntos entre o Laboratório e o Centro de Articulação de População Marginalizada (CEAP), frente ao combate à intolerância religiosa no Brasil e os debates em torno da Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas de Ensino Fundamental, Médio e centros de ensino superior. Tendo como coordenadores Ivanir dos Santos (geral), Elé Semog e Mariana Gino

“A Coordenadoria pretende promover o debate em torno das multiplicidades das experiências religiosas africanas e afro-brasileiras, aliada a temática do racismo e da intolerância religiosa, temas ‘caros’ para compreensão da formação religiosa do Brasil, um país hibrido constituído através dos processos sócios-históricos entre as culturas religiosas afro-luso - americano. Americano, evidentemente, por sua posição geográfica e sua população indígena; lusitano, por ter sido colonizado pelos católicos portugueses; e africano, por ter aqui aportado os negros escravizados, em vários países africanos, que traziam consigo seus costumes, suas tradições e, principalmente suas religiões e suas experiências religiosas”, afirma Ivanir dos Santos.

Objetivo Específico da coordenadoria - Apontar os trabalhos acadêmicos que estão sendo desenvolvidos sobre. Discutir sobre a inserção e aplicabilidade da lei 10.639. Destacar o dia 25 de Maio não apenas como um marco histórico dentro das histórias do continente africano, mas também uma rememoração da afirmação da identidade negra no Brasil pós diáspora.

Ao longo do dia 25 – Diversos segmentos compõem o evento na praça do Largo de São Francisco de Paula: feira com afro empreendedores de moda, sob a coordenação de Silvana Thebas, com penteados afro, oficina de tranças (tranças rasta e nagô, dreads), arte, literatura, exposição fotográfica, barracas iguarias africanas e shows...

Das 8h30 às 9h - Café da manhã orquestrado pela Vate Produções, produzido por Cátia Cruz, com os consulados dos países africanos no Brasil: Republica de Angola: Dr. Rosário Gustavo de Ceita - Benin: Dr. Cesar Haia - Cabo Verde: Dr. Pedro Antônio dos Santos - República Democrática do Congo: Dr. Fernando Pablo Mitre Muppapa - Senegal: Sr. Amina Ngoal - São Tomé e Príncipe / Republica Democrática Saravi: Dr. Washington Machado.

Das 9h10 às 10h10 – Abertura com Prof. Dr. André Leonardo Chevitarese (UFRJ) - Prof. Mestrando: Babalawô Ivanir dos Santos (UFRJ) – Consulados de Angola; Benin; Cabo Verde; Senegal e República D. do Congo.

Das 10h15 às 11h30 – Mesa Temática: Religiões Tradicionais Africanas, com Prof. Hipólito Sogbos - UFS/Benin - Profª. Leatitia Abyon -UFRGS/Benin e Prof. Dr. Murilo Sebe Boh Meihy (UFRJ).

Das 11h35 às 12h50 – Mesa Temática: Religiões Afro-Brasileiras, com Dra. Helena Teodoro – Mestrando Elaine Marcelina - Universo e Prof. Alexandre Carvalho dos Santos (UFRJ/Padê).

Das 14h05 às 15h20 – Mesa Temática: Racismo, com Profª. Jaciane Belquiades - Prof. Dr. Alain Pascal Kaly (UFRRJ) e Prof Mestrando Elé Semog – UFRJ

Das 15h25 às 16h40 - Mesa Temática: Intolerância Religiosa, com Prof ª. Mestranda Juliana B. Cavalcanti (PPGHC-LHER-UFRJ) e Socióloga Ediene Sales (Estágio de Sá)

Na Ala Parceria Cultural – No Largo São Francisco de Paula

Das 9h às 17h - Projeto Odarah Produção Cultural Afirmativa

O projeto se constitui enquanto plataforma de fomento e visibiliza negócios com ênfase na moda, educação, arte e cultura, geridos por pessoas negras. Em atividade desde 2013, fazendo uma ocupação cultural na FEBARJ (Federação dos Blocos Afro do Rio de Janeiro, na Lapa), atuando enquanto feira de negócios com marcas do Brasil inteiro, bem como enquanto espaço para artistas da fotografia, cinema e artes cênicas, com diversas barracas na praça.

Das 9h às 17h - Projeto Trança Terapia por Gabriela Azevedo - No Largo

São Francisco de Paula

O projeto Trança Terapia visa em sua atuação trabalhar o aspecto artístico das tranças, entendendo essa prática ancestral como a expressão da criatividade de um povo que é matriz cultural para a cultura brasileira. Através da arte com as tranças, disseminamos a valorização da estética negra e valorizamos as culturalidades africanas no embelezamento de mulheres e homens.

Às 9h30 – Roda de Conversa - no interior do IFCS

A produtora Cátia Cruz, abre roda de conversa com o tema “Como se encontra a situação das mulheres da África, no Município do Rio de Janeiro”.

Convidados para a Roda de Conversa Pan-africanismo Pan-africanismo

Das 10h às 12h30

Ø Tema: União Africana, africanismo e antiafricanismo: alguns apontamentos

· Palestrante: Prof.º Dr.º Hippolyte Brice Sogbossi Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe e Membro do Conselho Deliberativo do NEAB/UFS - CECH, Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros

Ø Tema: Nkrumah, África atual e a nova descolonização.

· Prof.º Dr.º Pedro Acosta Leya da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB)

Ø Tema: Construção de Estado senegalês e o Conflito de Casamance

· Palestrante: Prof. º Drº. Mamadou Alpha Diallo do Departamento de Relações Internacionais e Integração da Universidade Federal de Integração Latino-Americana (UNILA) e Doutor em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É pesquisador associado ao Centro Brasileiro de Estudos Africanos (CEBRAFRICA), ao Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia (ISAPE).

Ø Tema: O Cristianismo na África: Uma religião colonial?

· Palestrante: Prof.º Dr.º ALAIN PASCAL KALY

Das 14h às 16h30

Ø Tema: Unidade cultural africana

· Palestrante: Luanda Maat: Cientista social formada pela PUC-Rio, pesquisadora independente de Afrocentricidade, Africologia e Mulherismo Africana, integrante do Grupo de Pesquisa e Pratica de Yoga Kemética (antigo egípcia) - Rio, ex-coordenadora do Fórum Estadual de Juventude Negra do Rio de Janeiro e dos coletivos de estudantes universitários negros Luis Gama e Sankofa . Ex-mestranda do Programa de Políticas Públicas, Estrategias e Desenvolvimento do Institutode Economia da UFRJ (2012-2015)

Ø Tema A prática da Yoga do Antigo Kemet: ferramenta de luta e libertação atual para a diáspora Africana

· Palestrante: Emaye Ama Mizani: Fundadora da Mesob Ta-Urt - A Mesa da Terra e representante nacional da Kemetic Yoga Brasil - Maat Flow.

Ø Tema: Identidade Real Africana

· Nabby Clifford: Embaixador do Reggae no Brasil

· Sombra Di Polon

Ø Tema: Um espaço revolucionário e independentista sociocultural, político e religioso de herança Kaabunke e Afro-porturguesa

· Tchinho Kaabunke Sociologo, Arquiteto, Urbanista e Ambientalista, Programa de Pós Graduação em Sociologia UFF, Programa de Pós Graduação em Urbanimo UFRJ, Centro Africano de Estudantes

Às 17h - Apresentação artística Padê – No Largo São Francisco de Paula

Projeto em Africanidade na Dança Educação- PADE/UFRJ, coordenado pelo professor Alexandre Carvalho, desenvolve estudos sobre as questões da memória e identidade afro-brasileira, tendo como foco de pesquisa os cultos de matriz africana. Pautados nas ações afirmativas, sobretudo na lei 10.639/2003, produz trabalhos artísticos acadêmicos, que tratam da luta contra a intolerância religiosa, preconceito e o racismo e destaca a importância da Cultura Afro-brasileira. Com 12 integrantes fazem performance de 10m na praça: Iroko Cumieira do Mundo.

Na Ala Expo Afro – na Estrada do Salão Nobre do IFCS

Das 9h às 17h - Projeto Crenças por Thabata Castro.

Exposição com 17 fotos e um políptico (que é um conjunto de 12 fotos, funcionam como um conjunto). Em diversos tamanhos que variam entre 70x50 cm e 10x15cm. Realiza esse projeto desde 2007, formada em História da Arte pela UERJ. A exposição concentra em três festejos “O Cortejo”, que sai do Mercadão de Madureira e vai até a orla de Copacabana, o do “Dia 2 de Fevereiro”, que sai da FEBARJ e vai até a Praça XV, onde também sai uma barca que vai até a entrada da Baia de Guanabara e por último os festejos de “São Jorge”, na Igreja da Rua da Alfândega, no Centro.

Na Ala África na Praça - Largo São Francisco de Paula

Às 9h – A festa ganha parceria da Feira Cultural e Gastronômica Paladares da África – 2ª. Edição. Em torno de 50 barracas compõe a feira na praça do Largo São Francisco. Contará ainda com o DJ Nilson Newboys, entre DJs convidados angolanos, cabo verdianos, congoleses e brasileiros, que se revezam no decorrer do dia. As barracas com acessórios, tecidos, esculturas, turbantes, variam de R$ 3,00 a R$ 150,00.

Às 12h30 – gastronomia - com iguarias africanas como micondes, paracuca, doce de coco, doce de ginguba, ginguba torrada, banana assada, mufete de peixe frito, fungi de milho de bombo, cachupa, kizaca, entre outros. Os quitutes variam entre R$ 3,00 a R$ 20,00.

Às 15h – Desfile de moda com trajes africanos de Cabo Verde, Senegal, Congo, entre outros.

Às 17h – Shows com diversos convidados.

· Com o grupo Batacotô - do ioruba, como líder e fundador o baterista Téo Lima, foi conhecido, no Brasil, um tipo de tambor usado, principalmente na Bahia do século XIX, pelos africanos revoltados. Tido como elemento fortemente incitador das massas rebeladas, sua importação foi proibida depois da grande insurreição de 1835, conhecida como Revolta dos Malês. Em 1991, o nome batizou o grupo vocal e instrumental de música popular que une um pouco de música de raiz brasileira com guitarristas de rock, teclados, contrabaixos aliados ao suingue do jazz e ao ritmo dos bateristas de escola de samba. E é exatamente essa mistura que dá um tempero especial ao grupo cuja base “afro” é a identidade que sustenta todas essas experimentações.

· Seguindo pelo show – Dudu Fagundes, “O 'Maestro das Ruas'' começou trabalhando sentado num banquinho em frente à Escola Nacional de Música, na Lapa, fazendo partituras com papel e caneta na mão. Depois comprou equipamentos de informática, instrumentos, fez parcerias com outros profissionais da área e começou a desenvolver trabalhos no meio artístico. E traz novidades com novo trabalho, com o CD “Uma Nobreza Rara”, no repertório, as músicas “Luanda Ainda”, “Minha Crioula”, “Bem Vindo, Soul África” e “Preto e Branco”.

· O projeto fecha com participação de Nego Álvaro, de longa trajetória acompanhando grandes músicos. Nego Alvaro faz participação com as músicas “O Canto das 3 Raças”, “Emoriô” e o sucesso gravado na voz de Beth Carvalho “Estanhou O Que?”

Na Ala Cine Áfricas - sessão com filmes africanos, no interior do IFCS, a partir das 10h

Filmes:

Ø Keita: A herança do Griot: Direção: Dani Kouyaté, Roteiro: Dani Kouyaté, Gênero: Drama, Origem: Burkina Faso/França, Duração: 94 minutos, Tipo: Longa-metragem

Ø I love Kuduro : Direção: Mário Patrocínio, Produção: Mário Patrocínio, Roteiro: Coréon Dú, Mário Patrocínio.

Ø Virgem Margarida: Direção: Licinio Azevedo, Gênero Drama, Países cooperadores na produção Nacionalidades França, Portugal, Moçambique.

Ø Emitaï: Direção Sembène Ousmane, país Senegal, ano1971, duração 35mm, cor, 96’ | Idiomas diola/francês.

Ø Xala: Direção Sembéne Ousmane, país Senegal, ano 1975, duração35mm, cor, 117’ | Idiomas wolof/francês.

Ø Ceddo: Direção Sembène Ousmane, país Senegal, ano1976, duração 35mm, cor, 111’ | Idiomas wolof /Legendas em português.

Ø Mister Johnson: No Coração da África: Direção Bruce Beresford

Entenda: O Dia Internacional da África foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1972, por reconhecimento ao dia 25 de Maio de 1963, quando chefes de Estado africanos reuniram-se na Etiópia. Nesse dia, fundou-se a Organização da Unidade Africana (OUA), sendo conhecida hoje como União Africana, que tem como objetivos: manter a unidade e a solidariedade africana, eliminar o colonialismo, garantir a soberania dos Estados Africanos e a sua integração econômica, bem como fomentar a cooperação política e cultural no continente.

Dia 25 de Maio - QUARTA, das 9h às 20h

No Instituto Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ)

Largo São Francisco de Paula, 1 – Centro

Entrada franca

FONTE: Jornal do Brasil em 21/05/2016

segunda-feira, 16 de maio de 2016

MT é um dos estados com menos casos de intolerância

Por Aline Almeida

Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, o Disque 100, apontam que no Brasil, a intolerância religiosa cresceu quase 4.000% em cinco anos. Somente no ano passado, a Secretaria de Direitos Humanos contabilizou 556 denúncias sobre casos de intolerância religiosa.

Os dados mostram ainda que há cinco anos, quando o canal começou a registrar estas denúncias foram apenas 15 casos, ou seja, neste período os registros aumentaram 3.706%.

Em 2011 foram registrados 15 casos através do Disque Denúncia, Mato Grosso não registrou nenhum, São Paulo e Rio de Janeiro foram os estados com mais casos, três no total.

Em 2012, foram 109 denúncias, São Paulo aparece com 19, Rio de Janeiro 18 e Mato Grosso uma. Em 2013, os números alcançam 231 casos, São Paulo com 50, Rio de Janeiro com 39 e Mato Grosso com dois.

Em 2014 foram 149 denúncias, sendo 39 no Rio de Janeiro, 29 em São Paulo e três em Mato Grosso. Já em 2015 o número saltou para 556, 37 em São Paulo, 36 em Rio de Janeiro e uma em Mato Grosso.

Segundo a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, o número não representa a quantidade de casos reais, que passam por investigação, mas de denúncias por parte da população.

A ouvidoria aponta que o número de denúncias de intolerância religiosa na internet também aumentou.

Em Mato Grosso, devido ao crescimento no número de denúncias referente a intolerância religiosa, a Polícia Civil destinou um delegado para trabalhar nestes casos.

O delegado Luciano Inácio conta que caracterizados mesmo como “intolerância” são poucos os casos.

No entanto, vários casos de centros de umbandas queimados, conforme, são classificados como atos de vandalismo.

Ele confirmou que, neste caso, todos os templos religiosos independentemente das denominações, estão suscetíveis a passar. Mas, quanto à intolerância religiosa, Luciano Inácio diz que ela tem que ser combatida, pois é muito perigosa.

“Tem pessoas que acabam fazendo piadas com o jeito dos adeptos das religiões se vestirem ou portarem. Todo o tipo de crime deve ser comunicado a polícia”, afirmou.

Neste ano mesmo, Cuiabá registrou casos de centros de umbandas serem queimados, na semana passada uma mulçumana foi vítima de intolerância em um posto de gasolina em Cuiabá. Conforme informações da Polícia Militar, um homem que estava no local começou a ofender a mulher.

Dados - O disque-denúncia, junto com a Ouvidoria Online e o Clique 100 realizaram 324.892 atendimentos em 2015, dos quais 42% se referiu ao registro de denúncias de violações de direitos humanos. Mais de 270 mil atendimentos foram para encaminhar denúncias aos órgãos da rede de proteção integral de direitos humanos e ao sistema de justiça. Com isso, os serviços da Secretaria de Direitos Humanos recebeu a média de 376 denúncias por dia.

FONTE: Diário de Cuiabá em 16/05/2016

sexta-feira, 13 de maio de 2016

OAB pede apuração de ataque contra o busto de mãe Gilda

A Ordem dos Advogados do Brasil, seção Bahia (OAB-BA), divulgou nota pública, na quarta-feira, 11, em que revela indignação com os atos de vandalismo praticados contra o busto de mãe Gilda, no parque do Abaeté, bairro de Itapuã, em Salvador.

O ataque ocorreu na madrugada do último dia 4, e o caso foi registrado na 12ª Delegacia Territorial, em Itapuã, pela líder do terreiro Axé Abassá de Ogum, a ialorixá Jaciara de Oxum.

Segundo ela, que é filha de mãe Gilda, houve perícia, com acesso às câmeras de segurança, mas as imagens estavam escuras: "Não podemos silenciar a intolerância que vem ocorrendo. Vamos fazer um protesto para chamar a atenção para esta causa".

Jaciara disse, ainda, que a Fundação Gregório de Mattos já prometeu que o local será cercado e revitalizado.

Trecho da nota

"Em virtude do lamentável ocorrido, a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa solicitará à Diretoria da OAB-BA que encaminhe ofício à Secretaria da Segurança Pública e à Polícia Civil, solicitando especial atenção no tocante à investigação e deslinde deste crime que, seja resultado da violência urbana, seja traço de intolerância religiosa - mais provável -, deve ser duramente rechaçado, bem como à Guarda Municipal, requerendo reforço na região a fim de resguardar o patrimônio público", diz o texto.

FONTE: Jornal A Tarde em 12/05/2016

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Ataques contra religiões de matriz africana são 'racismo religioso', afirma secretária

Um dos maiores desafios que a população negra ainda enfrenta é o desrespeito e a intolerância em relação a suas formas de expressar a fé. As religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, que sempre foram alvo de preconceito e generalizações, também tem enfrentado uma onda de agressões e ataques contra seus símbolos e instituições.

Para a secretária de Políticas para Comunidades Tradicionais do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Givânia Maria da Silva, essas ações tem como fundamento o preconceito racial, e se caracterizam como atos de "racismo religioso". "Nenhum outro grupo religioso encontra tanta resistência e tantos atentados. À medida que esses sujeitos se organizam como movimento e querem manter suas tradições, eles batem de frente com a questão da intolerância, com o nosso próprio processo de formação da sociedade brasileira.", diz, entrevista ao Portal Brasil.

Para a secretária, este racismo tem se acirrado na sociedade brasileira e usado questões de fé como pano de fundo. Ela defende que somente a mudança estrutural da educação na sociedade brasileira pode trazer resultados efetivos quando o assunto é igualdade racial. Ela ainda conta que a atuação do governo federal atualmente se dá em três esferas: o combate ao preconceito, a proteção a população e a promoção da igualdade racial.

Confira a entrevista completa:

Qual é a situação das comunidades tradicionais em relação à intolerância religiosa hoje em dia e ao que pode ser atribuído essa intolerância?

Nós temos que começar a falar desse tema pensando nas marcas do processo de escravidão e do racismo que ainda opera em nossa sociedade. As comunidades, povos de matriz africana e terreiros são grupos forjados a partir da resistência e luta pela sua ancestralidade e têm encontrado na sociedade, assim como outros grupos, uma resistência muito forte. Isso tem levado ao que algumas pessoas chamam de intolerância religiosa, mas que prefiro trabalhar com o conceito de racismo religioso. Nenhum outro grupo religioso encontra tanta resistência e tantos atentados. À medida que esses sujeitos se organizam como movimento e querem manter as suas tradições, eles batem de frente com a questão da intolerância com o nosso próprio processo de formação da sociedade brasileira. É um acirramento do racismo em relação à população negra e, agora, de forma mais modernizada, usando a questão religiosa como pano de fundo. Nós temos o entendimento aqui no Ministério de que essas ações devem ter um tratamento, após apurado os fatos, de crime de racismo e que sejam punidos os culpados na forma da lei. Não abrimos mão de pensar que é necessário punir as responsabilidades, conforme a lei, de quem queima os terreiros, agride uma criança porque vestiu uma roupa que a identifica com a sua religião, linche publicamente nas redes sociais uma jovem que estampou em foto também roupas que identificam como seguidora de algum culto. É inaceitável, na sociedade plural que vivemos, aceitar esse tipo de comportamento.

Por que a senhora pensa que algumas representações culturais de matriz africana tem sido bem aceitas, como a música e a dança, enquanto a religião ainda encontra essa rejeição?

Nós temos refletido bastante sobre isso. O samba já foi proibido, a capoeira também já foi crime e hoje não são. Só que no aspecto religioso, nós não podemos dizer que nós tivemos avanços que essas outras expressões culturais tiveram. No tema da religião, a gente precisa voltar um pouquinho em nosso processo histórico e pensar quem estava aqui no Brasil, quem chegou para colonizar, que tipo de colonização e quais foram as estratégias para essa colonização. O desconhecimento do conceito plural que as religiões de matriz africana carregam, de um deus que não é único, que não dá pra dizer se é homem ou se é mulher, preto ou branco, criança ou velho, geram a propagação de que religião de matriz africana é coisa do mal, coisa do diabo. Isso tem criado uma cultura de ódio e rejeição ainda mais forte. Passamos muito tempo iludidos com a democracia racial e ela cai por terra quando vamos analisar o lugar do negro, como somos tratados, os indicadores, etc. Tem pessoas que falam que o Brasil tem um racismo camuflado. Isso não é verdade, hoje é muito mais exacerbado do que antes. As pessoas não tem mais vergonha de se assumirem racistas, seja na televisão ou na internet. Isso tem favorecido os ataques. O raciocínio é: 'Se eu posso ir num canal de televisão e falar que eu odeio negros, gays e mulheres, eu posso ir em um terreiro e queimá-lo, qual é o problema?' Não dá pra não reconhecer que todos esses ataques tem raízes na nossa formação. Esse que é o nosso grande desafio, encontrar a chave e trabalhar isso do ponto de vista do combate, mas também proteger os direitos já assegurados na Constituição como patrimônios. Ou seja, direito que é meu e seu.

O que a gente pode dizer que o governo tem feito para garantir os direitos dessa população?

Acreditamos que para superar essa questão temos que investir em políticas públicas. Fazer com que esse sujeito acesse os serviços públicos, que historicamente lhes foram negados, e que muitas vezes a sua condição religiosa e de pertencimento étnico causa afastamento em função do nosso preconceito e racismo. Nós temos históricos de pessoas, pais e mães de santo, que vão em busca de serviço de saúde, por exemplo, e, ao serem identificados como tal, lhes são negados. Só a partir da Constituição de 1988 é que alguns sujeitos passam a existir de direito. E a construção de políticas para os povos e comunidades de matrizes africanas de terreiro é uma coisa muito recente, dos últimos 13 anos. É uma interpretação para reconhecer as especificidades desses grupos. Há um decreto presidencial que reconhece esses povos como sendo povos tradicionais, com direitos e características específicas. A partir disso, vem se formulando um conjunto de ações e políticas públicas voltadas para esses grupos. Nós terminamos o primeiro Plano de Desenvolvimento dos Povos de Comunidade de Matriz Africana, estamos no processo de elaboração do segundo Plano. E, assim como o primeiro, é o esforço do governo federal de construir um instrumento de sistematização de políticas públicas a partir das demandas que esses grupos têm apresentado para nós. Temos dados de que a universalização das políticas não dão conta dessas especificidades.

Como são estruturados esses planos?

Nós trabalhamos com três conceitos: o combate, a proteção e a promoção. O Plano entra no campo da promoção, para promover políticas públicas que permitam que esse sujeito acessem determinados serviços. Também estamos atuando junto com o Ministério da Justiça para formar os agentes de segurança pública. Se o delegado e os agentes policiais não interpretarem e não reconhecerem isso como um crime, para assim o descreverem, dificilmente iremos fazer com que a lei seja cumprida. Outro trabalho é a mobilização e articulação dos Estados e municípios. Se nós não conseguirmos fazer essa ligação das ações do governo federal com os governos municipais e estaduais, não haverá mágica. Achamos que esse trabalho pode levar os municípios e estados a entenderem que reduzir desigualdades, reduzir pobreza e melhorar os indicadores passa, sobretudo, pela inclusão de todos e todas que ali residem, inclusive os terreiros, quilombos, indígenas, ciganos e todos os outros povos que, na grande maioria, ficam de fora das políticas públicas.

O que nos falta para sermos uma sociedade mais tolerante e caminhar contra a desigualdade racial?

Responderia com apenas uma palavra: educação. E não estou falando em educação na sala de aula, mas enquanto processo formativo para criar novos sujeitos e novos cidadãos. Não possível que a gente consiga imaginar a nossa sociedade, formada com nossas bases, ainda se manifeste de forma tão grosseira e desrespeitosa e eu diria até vergonhosa com nós mesmos. Foi projetado na nossa mente, e tem sido difícil de tirar, que para sermos uma sociedade melhor, temos que nos afastar dos diferentes. Mas a realidade é o contrário, nós já somos por si só diferentes. Nenhuma sociedade é tão plural como a nossa. Esse nosso ser carece de compreender que as características dessa diversidade não estão só no nosso rosto ou no cabelo, elas estão no nosso jeito de pensar, de ver o mundo ou de nos relacionarmos com o sagrado.

FONTE: Portal Brasil em 08/05/2016

'A maior religião do Brasil é o bem', diz Arlindo Cruz

Embaixador da campanha 'Filhos do Brasil', contra a intolerância religiosa, o músico afirma que o respeito às religiões consiste em aceitar o próximo.

O cantor e compositor Arlindo Cruz foi escolhido para ser o embaixador da campanha contra intolerância religiosa "Filhos do Brasil". Para o músico, a maior religião de todo o Brasil é o bem.

“Você pode ser do candomblé, da umbanda, crente, católico, messiânico, mas, acima de tudo, você tem de fazer o bem, e isso consiste em aceitar o próximo”, disse o músico durante evento de lançamento da campanha, nesta terça-feira (10), em Brasília.

A ação, realizada pela Fundação Cultural Palmares e pelo o Ministério da Cultura, tem o objetivo de valorizar a diversidade religiosa, o respeito ao próximo e o convívio com as diferenças. Para o ministro da Cultura, Juca Ferreira, a conscientização pelo respeito se faz necessária diante do que chamou de “radicalização da intolerância religiosa”.

“Filhos do Brasil é justamente para estimular a cultura da tolerância, do respeito mútuo. Os atos de violência têm aumentado, e essa campanha é essencial para construir uma cultura de paz e tolerância”, avaliou.

Segundo a presidenta da Fundação Palmares, Cida Abreu, a necessidade de abordar o tema surge de debates internos e, principalmente, da avaliação de casos de intolerância religiosa que chegam à Fundação.

“Nós somos responsáveis pela defesa do patrimônio cultural ancestral, que é todo o legado trazido das ancestralidades africanas e que se materializa em cultura. Por isso a campanha, para mostrar caminhos dos nossos direitos e pela laicidade do Estado”, finalizou.

FONTE
: Portal Brasil em 10/05/2016

terça-feira, 10 de maio de 2016

Polícia apura se intolerância religiosa causou demissão em prefeitura no RJ

O que seria mais um dia de trabalho para Patric Douglas Anjo Soares Ferreira, de 25 anos, virou caso de polícia. O jovem diz ter sido vítima de intolerância religiosa ao ser dispensado da Secretaria de Transportes de Mesquita, na Baixada Fluminense, após ter ido vestido de branco e com adereços religiosos no dia 25 de abril.

“Quando cheguei já me olharam de cara feia (...) Umas 9h, chegou o nosso encarregado, olhou para todo mundo e me falou: ‘O Cléber [Rezende da Silva, secretário de Transportes] falou que você não trabalha mais aqui’”, conta Patric, contratado em março para a função de apoio operacional.

O rapaz também alegou ter ficado constrangido com o comunicado de dispensa ter sido feito na frente de outros funcionários.

“Ele podia ter me chamado numa salinha e não ter dito isso na frente de todo mundo, sem nenhuma outra explicação. Fiquei uns 20 minutos parado tentando entender o que aconteceu. Fiquei muito triste com tudo aquilo. Só porque estou de branco e com umas guias para dentro da blusa não vou poder trabalhar?”, questionou.

Prefeitura nega exposição
Segundo a prefeitura, o que motivou a demissão do funcionário foi um histórico de faltas e abandono de trabalho registrados nos dias 7, 12, 18, 19 e 20 de abril. Patrick admite ter faltado quatro dias, dois deles devido a problema de saúde na família.

Patric e a mãe de santo Dofona de Omulu onde rapaz está recolhido para a realizações de ritual (Foto: Janaína Carvalho / G1)

“Sobre as questões relacionadas ao ex-funcionário Patric Douglas Anjo Soares Ferreira, a Prefeitura de Mesquita, por meio da Secretaria de Transporte, Trânsito e Ordem Pública, informa que, no dia 25 de abril, o mesmo foi instruído a não dar início a sua rotina de trabalho e aguardar para conversar com o secretário. Patric, contudo, não quis esperar e deixou o local de trabalho. A prefeitura informa ainda que o comunicado de demissão não foi feito na frente de outros funcionários”, disse a prefeitura, por meio de nota.

Investigação
O caso foi registrado na 53ª DP (Belford Roxo) como “Injúria por preconceito”, mas o artigo citado foi o 147 do Código Penal, que se refere a ameaça. No entanto, segundo a Polícia Civil, o autor do registro pode ir à delegacia solicitar a correção do documento, o que não causa nenhum dano à investigação.

De acordo com o delegado Matheus Romanelli, logo após o registro da ocorrência o delegado elenca as diligências necessárias para esclarecer os fatos e pode, nesse momento, realizar a correção. A pena por injúria vai de um a três anos de prisão.

“Outro fator importante é que as diligências são determinadas de acordo com os fatos narrados. No caso em questão, as investigações estão em andamento na unidade”, informou, por nota, a Polícia Civil.

A mãe de santo Arilza dos Santos Rosa, de 54 anos, mais conhecida como Mãe Dofona de Omulu, diz que algumas regras chegaram a ser contornadas dentro da crença religiosa para que o jovem não precisasse faltar ao trabalho.

“Quebrei as minhas regras em relação ao orixá, retirando alguns aparamentos dele para ele poder trabalhar. Conseguiu esse serviço e estava muito feliz ajudando a mãe e, ao se iniciar no candomblé, aconteceu isso aí. Ao chegar de branco no serviço ele foi dispensado na frente de todo mundo”, lamenta Arilza, ressaltando que o rapaz é o filho mais velho e precisa ajudar a mãe financeiramente.

Ainda segundo seguidores de religiões de matrizes africanas, o desrespeito com os seguidores do candomblé é frequente.

“Não há uma organização por parte do poder público para discutir essa questão de intolerância e políticas públicas. Um empregador tem o direito de dispensar o empregado, mas com o devido respeito e não baseado na intolerância”, disse Claudenilson dos Santos Rosa, conhecido no meio espiritual como Ogan Makalé.

FONTE: Portal G1 em 06/05/2016