segunda-feira, 2 de maio de 2016

Praticante de candomblé diz ter sido demitido por intolerância religiosa

Assista o vídeo.

FONTE: MSN em 02/05/2016

Mãe de menina morta em suposto ritual diz que está sendo vítima de intolerância religiosa

A mãe da menina, que morreu intoxicada possivelmente em ritual de magia negra, denunciou na última sexta-feira (29) que está sendo vítima de intolerância religiosa. A informação foi confirmada pelo advogado Lenoel Vieira, que defende Ana Cléa da Silva, mãe biológica da garota que morreu ontem no Hospital de Urgência de Teresina (HUT).

Na manhã de hoje, o advogado esteve na Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente e falou com a delegada Tatiana Trigueiro, que acompanha o caso.



Imagem: Cidadeverde.com


O advogado Lenoel Vieira confirmou que a mãe da garota é adepta da umbanda e que não participava de ritual de magia negra. Ela frequentava o terreiro no povoado Flor do Campo na zona rural de Timon (MA). Segundo o advogado, por ela ser umbandista as pessoas estão usando isso para acusá-la de ter provocado a morte da filha.

“Ela está à disposição da justiça e se encontra muito abalada, chorando muito e sendo perseguida por ser adepta da umbanda. Ela está sofrendo intolerância religiosa com agressões verbais e insultos”, disse o advogado ao Cidadeverde.com.

Segundo o advogado, a mãe buscou a cura da filha através da fé e nunca pensou em lhe fazer mal.

“Ela está com a consciência tranquila e quer saber as causas da morte da filha. O brasileiro em geral é um povo de muita fé e quando não encontra cura na medicina, busca a cura nas religiões católicas, evangélicas nos terreiros”, disse.

Agilidade em resultado nos laudos

A família da garota Francisca Alice Silva Barreto pediu agilidade no resultado dos exames para saber as causas da morte da menina. Vários exames aguardam resultados como o toxicológico, de sangue, o necrotério e as análises no liquido que foi entregue a Polícia que a menina estaria bebendo para curar uma asma.

“A criança apresenta saúde fragilidade desde a infância e todas às vezes a mãe buscou os hospitais públicos. Aguardamos os resultados dos laudos periciais que são fundamentais para resolver em definitivo o caso”.

Entenda o caso

A garota Francisca Alice Silva Barreto, 10 anos, deu entrada no HUT no dia 14 deste mês com suspeita de intoxicação e marcas de torturas. Segundo o Conselho Tutelar de Teresina, ela pode ter sido vítima de possível ritual de magia negra. Ela estava em coma profundo, com a cabeça raspada e lesões pelo corpo, a maioria com cicatrizes em forma de cruz.

Além da morte da garota, o conselho investiga denúncias de torturas de outras crianças em rituais religiosos. São cerca de 20 casos no total, que vieram à tona após a internação da menina, diz o órgão.


FONTE: Cidadeverde.com em 30/04/2016


sexta-feira, 29 de abril de 2016

Preconceito ainda assusta membros do Candomblé na região

“A verdade é que eu gostaria de sair com minhas roupas de santo, mas tenho medo de ser humilhada e ofendida”. É com estas palavras que Sônia Viana de Abreu, de 63 anos, resume todo seu medo de demonstrar que é adepta do Candomblé, religião de matriz africana.

Na religião, dona Sônia é conhecida como Mãe Sônia D’fons e comanda um terreiro de Candomblé na nação Ketu, há 48 anos, em Diadema. Hoje, ela é uma das Ialorixás, alto título dentro da crença, que detém os mais bem guardados segredos dentro da doutrina.

Mãe Sônia conta que quem pratica o Candomblé hoje em dia tem a coragem como fio condutor da filosofia. “Ainda é difícil o praticante assumir publicamente que faz parte da religião, mas tenho esperança que isso mude”, contou.

A mãe de santo explica que grande parte das ofensas começa de membros de outras religiões, em especial, dos neopentecostais. “Meu terreiro fica cercado por seis pequenas igrejas evangélicas, aqui no bairro. Tive alguns problemas com eles, mas agora nos respeitamos”, explicou lembrando que todos os templos chegaram bem depois do estabelecimento de seu terreiro.

Dona Sônia diz não entender por qual motivo os filhos de santo sofrem, muitas vezes na pele, perseguições e ofensas, mas crê que isso um dia chegará ao fim. “Somos todos seres humanos. Temos que ter entendimento e compaixão para com o próximo. Isso é um ensinamento que existe em todas as religiões”.

E quando o problema e o medo partem de dentro da própria família? José Airton Magalhães, 39, enfrentou as maiores dificuldades, como praticante do Candomblé, dentro do próprio lar.

Por muito tempo, Magalhães escondeu dos próprios pais que visitava terreiros de Candomblé quando jovem. Tinha medo de que seus parentes descobrissem o interesse na religião e lhe causassem algum mal. Apesar de morar com a mãe até hoje, o homem, também conhecido como Egbome Zezé de Odé, ainda vive o tabu sobre o assunto dentro de sua casa e entre os parentes. “Não falo com minha família sobre religião. Quando falo alguma coisa, há muita crítica”, desabafou explicando que grande parte de sua família tem princípio evangélico.

Osvaldo Rocha da Silva, 57, Gracinda Aparecida Maria da Silva, 53 e Alison Rodrigo da Silva, 28, formam uma família voltada às religiões de matriz africana. Enquanto Osvaldo pratica a Umbanda, Grancinda e Alison são adeptos do Candomblé. A grande peculiaridade é que todos eles dividem e revezam o mesmo terreiro, que fica dentro da própria casa em São Bernardo para ambas as religiões.

Mãe Graça, como é conhecida, relata que sofreu muito pouco as discriminações por participar da doutrina, mas conhece companheiros de religião que tiveram terreiros fechados por causa de desentendimentos. “É uma situação bem triste. É horrível quando você é proibido de praticar uma crença que se dedica e acredita”, desabafou.

Alison, o filho de Mãe Graça, passou por um constragimento que o marcou profundamente. Foi despedido quando descobriram que era praticante do Candomblé. "De um dia para o outro começaram a me ignorar. Não me chamavam mais para almoçar, nem para participar de conversas. Passou algum tempo e me despediram", lembrou.

Um dos grandes problemas levantados por Mãe Graça é que, como as pessoas têm interesse, mas tem medo de se entregar ao Candomblé, muito de seus ensinamentos estão se perdendo. “Não há dúvidas de que o Candomblé é uma das religiões mais perseguidas hoje em dia. Talvez por falta de informação, muita mentira é contada sobre o que se pratica na fé e isso causa confusão”, explicou.

Desunião

Apesar de se doarem à religião, as mães de santo relatam que a desunião dentro do próprio Candomblé ajuda para que ela fique relegada a poucos locais e membros. “Se por um lado existe a bancada evangélica, que visa melhorias dentro da fé deles, nós não temos políticos de renome que lutem por nós”, relatou Mãe Graça.

“Algumas mães e pais de santo quando alcançam graus mais elevados, acabam esquecendo da humildade que a religião ensina”, detalhou Mãe Sônia D’fons. “É esse um dos problemas que acomete a crença. Isso causa conflitos e vai deixando as pessoas descontentes, que vão abandonando o Candomblé. Com a religião fraca, mais ficamos expostos à violência e outros problemas”, concluiu.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no censo realizado em 2010, são 141.553 seguidores de religiões de matriz africana, entre Candomblé e Umbanda, no Estado de São Paulo.

FONTE: Diário do Grande ABC em 29/04/2016

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Terreiro recebe apoio da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa

O documento torna pública a perseguição sofrida pelos adeptos da casa. A versão original será entregue à Prefeitura de Lauro de Freitas, assim como as cópias para todas as partes interessadas.

Alvo de atos preconceituosos de um membro da vizinhança, o terreiro Ilê Oba L’okê, localizado na Rua Dr. José Carlos Minahim, em Lauro de Freitas, recebeu a visita de representantes da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, vinculada à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), na tarde de terça-feira (26). No local, a situação do terreiro foi discutida e uma petição assinada por cada um dos presentes como forma de cobrar providências da administração pública do município.



O documento torna pública a perseguição sofrida pelos adeptos da casa. A versão original será entregue à Prefeitura de Lauro de Freitas, assim como as cópias para todas as partes interessadas. “Estamos dando esse suporte enquanto Governo do Estado e mostrando que as vítimas de racismo não estão sozinhas nesta luta por respeito. Estamos acompanhando de maneira integrada para que o desfecho seja positivo”, explica a coordenadora da rede, Nairobi Aguiar.

Composta por instituições do poder público, universidades federais e estaduais, órgãos que formam o Sistema de Acesso à Justiça e um conjunto de organizações da sociedade civil de Salvador e do interior, a rede tem o objetivo de aumentar o grau de resolutividade dos casos de combate ao racismo e à intolerância religiosa, além de promover a igualdade racial e garantir os direitos da população negra, por meio da atuação integrada dos seus componentes.

“Com a rede nos apoiando, a gente se sente mais forte para lutar pelos nossos direitos. Um vizinho aqui da rua já disse com todas as letras que não quer que um terreiro continue na vizinhança. Depois disso, iniciou uma série de denúncias falsas querendo nos expulsar daqui. Não conseguiram e não vão conseguir porque estamos dentro da lei”, afirma o babalorixá responsável pela casa, Vilson Caetano.

Denúncias

De acordo com o coordenador do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, Walmir França, que também esteve presente no encontro, já foram registrados na unidade, até 13 de abril deste ano, 215 denúncias de racismo e intolerância religiosa.



Do total, 70 casos envolveram vítimas de intolerância religiosa, sendo que a maioria partiu de vizinhos (27%) e outros religiosos (14%). Todos receberam o suporte jurídico, psíquico e social do centro. “Nós temos a missão de identificar casos de racismo e intolerância religiosa, acolher as vítimas e direcioná-las para que saibam se proteger e combater atitudes preconceituosas”, destaca França.




FONTE: Acorda Cidade em 27/04/2016

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Delegacia de Crimes Raciais e de Intolerância Religiosa deve ser criada no Amapá

Tramita na Comissão de Constituição, Justiça, Redação e Cidadania (CJR) da Assembleia Legislativa do Amapá o Projeto de Lei sobre a criação da Delegacia de Crimes Raciais e de Intolerância Religiosa. A matéria deu entrada na CJR na quinta-feira (14). A comissão indicará qual o deputado ficará com a relatoria da matéria, com prazo de 15 dias para emitir o parecer.

A delegacia terá o papel de combater todos os crimes praticados contra pessoas físicas, jurídicas, entidades e patrimônios privados ou públicos, desde que a razão seja racial ou intolerância religiosa. Também caberá a delegacia receber queixas, registrar boletim de ocorrência, investigar, abrir inquérito e ofertar denúncia ao Ministério Público.

Para garantir o bom funcionamento, o projeto prevê ainda a instalação de uma linha telefônica 0800 para receber e até mesmo registrar as ocorrências.

De autoria da deputada Mira Rocha (PTB), o projeto deve ser aprovado por unanimidade, na comissão. Mira Rocha ressalta no texto que o PL tem grande relevância pelo fato de ser recorrente, em todo o país, crimes raciais e de intolerância religiosa. “É de extrema necessidade que se crie uma delegacia especializada para o atendimento desses casos, que merecem todo o amparo do Poder Público, que deve garantir o direito à liberdade, à vida e à segurança de todos, conforme previsto na nossa Constituição Federal”, justifica Mira Rocha.

A autora ressaltou no texto que “a vítima, seja física, jurídica ou titular do patrimônio poderá comparecer à delegacia para formalizar a queixa até 30, dias após o ocorrido”.


FONTE: Assembleia Legislativa do Estado do Amapá – ALAP em 19/04/2016

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Ministério cria comitê e grupo de trabalho para elaborar políticas para povos e comunidades tradicionais de matriz africana e de terreiros e povos ciganos

Foram criados nesta quarta-feira (13/4) o Comitê Executivo de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiros e o Grupo de Trabalho de Políticas para Povos Ciganos, que terá doze meses para apresentar uma proposta de plano voltada para o segmento. As duas iniciativas do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos têm como principal objetivo a elaboração de planos com políticas governamentais que garantam e promovam os direitos sociais e protejam as manifestações culturais desses segmentos.

Comitê Executivo de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiros
A principal tarefa do Comitê, criado por meio da Portaria nº 180, será a elaboração do II Plano Nacional de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiros (2016-2019), com a participação de representantes desse segmento. O Comitê também será responsável pela definição das metas físicas e orçamentárias do Plano, pelo diálogo com outros órgãos do governo federal para o estabelecimento de metas setoriais orientadas ao segmento, e pela produção de recomendações e resoluções que orientem a condução de políticas públicas. Para subsidiar suas atividades, o Comitê vai criar câmaras temáticas – integradas por membros do grupo e convidados – sobre os temas: Garantia de Direitos; Territorialidade e Cultura; Inclusão e Desenvolvimento Social; e Enfrentamento ao Racismo e à Violência.

O Comitê Executivo será coordenado pelo Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos e composto por representantes dos seguintes Ministérios: das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos; do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; da Educação; da Cultura; da Justiça; das Comunicações; da Saúde; e da Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

Grupo de Trabalho de Políticas para Povos Ciganos
O Grupo de Trabalho (GT), instituído por meio da Portaria nº 181, terá como principal objetivo a elaboração, o monitoramento e a avaliação do I Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos, para o período 2016-2019. Também será responsável pela definição de suas metas e diretrizes e pelo diálogo com órgãos do poder público epara sua implementação, deverá estabelecer mecanismos de diálogo com representações dos povos ciganos. Da mesma forma, o monitoramento e avaliação do Plano contarão com a contribuição de uma comissão consultiva formada por representantes dos povos ciganos escolhidos por meio de edital, que será publicado no Diário Oficial da União. A escolha dos membros dessa comissão vai levar em conta a representatividade das entidades de comunidades ciganas e sua experiência na promoção dos direitos e do desenvolvimento social dos povos ciganos, a diversidade étnica e cultural, as particularidades étnicas, territoriais e organizativas e a participação de lideranças tradicionais, dentre outros aspectos.

A atuação do GT será pautada pela proteção e promoção dos direitos fundamentais das pessoas e coletividades ciganas, incluindo sua autonomia, seu protagonismo e sua sustentabilidade econômica e cultural; pela valorização das identidades étnicas ciganas e de suas organizações sociais; e pela intersetorialidade, transversalidade e participação social em todas as etapas de gestão de políticas públicas voltadas para os povos ciganos.

Coordenado pelo Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos, o GT será composto por representantes dos Ministérios das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos; do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; da Educação; da Saúde; da Cultura; das Cidades; da Justiça; e da Secretaria de Governo da Presidência da República.

FONTE: Secretaria de Políticas e Promoção da Igualdade Racial (Seppir) em 14/04/2016

Religiões de matriz africana fazem ato contra intolerância

Dezenas de representantes de religiões de matriz africana se reuniram no fim da tarde dessa sexta-feira (15) na Praça dos Orixás, em Brasília, para um ato contra intolerância religiosa e de louvação a Oxalá. Isso porque, no início desta semana, uma estátua do orixá foi incendiada no local, um espaço tradicional e de referência dos povos de comunidades tradicionais de matrizes africanas do Distrito Federal.

Cida Abreu, presidenta da Fundação Cultural Palmares (FCP), entidade vinculada ao Ministério da Cultura(MinC), acompanhou o ato voltou a destacar que o combate à intolerância religiosa é uma das bandeiras do ministério. "A intolerância religiosa ataca os filhos do Brasil independente de quem ele seja. As pessoas têm que entender que o território brasileiro é feito para todos. Nós temos no mundo várias intolerâncias. Mas no Brasil, um país continental que aporta várias etnias e que recebe todos de braços abertos, é inadmissível não termos a liberdade para professar a nossa fé. Nós vamos, sim, responder a qualquer ato de intolerância", afirmou.

De acordo com nota divulgada pela Palmares no início da semana, uma testemunha que passava pela praça na ocasião presenciou a estátua em chamas e acionou o Corpo de Bombeiros e líderes religiosos, buscando orientações sobre como proceder. O caso foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia Civil (Asa Sul) pela Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e do Entorno e, posteriormente à DelegaciaEspecial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin), instaurada em 21 de janeiro deste ano, fruto de uma parceria entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e a FCP.

Um inquérito foi instaurado pela Decrin para apuração dos fatos e oitiva de testemunhas com o objetivo de identificar a autoria do incidente e, se for o caso, enquadrá-lo como mais um caso de intolerância religiosa.

"Somos a resistência do Brasil e aqui estamos para dizer que o país é laico – ao menos é o que dizem ser. A Prainha é um lugar de celebração para nós, um terreiro público e a céu aberto. Não podemos tolerar um ato como este", afirmou a ialorixá Mãe Baiana, chefe do Departamento de Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Cultural Palmares.

Casos de desrespeito e de intolerância religiosa vêm se tornando comuns no Brasil, especialmente em Brasília e seu entorno. De acordo com a Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno, somente no ano passado, 15 terreiros foram atacados. Também em 2015, o Disque 100 (do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, Juventude e dos Direitos Humanos) registrou 705 crimes de intolerância religiosa entre atos de vandalismo, perseguição e racismo no Brasil.

Para o babalorixá Joel Osogiyan, mais do que tolerância, os praticantes de religiões de matrizes africanas querem respeito. "A gente não quer só ser tolerado, a gente quer ser respeitado. Além de um ponto turístico, essa é uma praça religiosa. Atacar a estátua de Pai Oxalá é atacar as nossas essências, os nossos terreiros, é agredir o nosso sagrado", destacou.

Praça dos Orixás

Esta não é a primeira vez que a Praça dos Orixás é alvo de vandalismo. Após sucessivas depredações das 16 estátuas de orixás que abriga, o local foi reinaugurado em dezembro de 2009. Na ocasião, os monumentos passaram por um processo de restauração que durou dois anos e contou com um investimento total da ordem de R$ 730 mil.

As estátuas foram produzidas pelo artista baiano Tatti Moreno e são réplicas das esculturas instaladas no Dique do Tororó, em Salvador. Elas representam entidades de religiões africanas e a fusão desta cultura ao cenário brasileiro.

FONTE: Aqui Acontece em 16/04/2016