sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Publicação mapeia práticas africanas na Mangueira

Levantamento feito pela ONG Arte de Educar será lançado no próximo dia 16, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). Mapeamento foi realizado por estudantes de 7 a 16 anos, que entrevistaram moradores que ajudaram a contar a história das influências africanas na favela da zona norte carioca

Favela 247 - Será lançado no próximo dia 16, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), a publicação "Cartografia das Práticas Culturais Africanas na Mangueira", que reúne relatos, entrevistas e fotos contando o surgimento da comunidade da zona norte do Rio, além de resgatar a cultura afro-brasileira da região. Iniciativa da ONG Arte de Educar, o levantamento foi feito por estudantes de 7 a 16 anos, que mapearam e entrevistaram personagens que ajudam a contar a história das influências africanas na Mangueira. Os pesquisadores-mirins também participaram de rodas de conversas com representantes de religiões africanas. “É uma forma de promover diversidade religiosa na educação”, comenta a gestora de projetos da Arte de Educar, Lolla Azevedo,em entrevista à Agência de Notícias das Favelas. Além da publicação, a ONG também fez um mapeamento socioambiental dos desafios encontrados e um vídeo das tecnologias populares existentes na favela.

Estudantes lançam mapa da cultura africana da Mangueira

Os moradores da favela da Mangueira, zona norte do Rio, poderão conhecer muitas histórias escondidas sobre suas origens africanas, que vão muito além do samba. A publicação ‘Cartografia das Práticas Culturais Africanas na Mangueira’, produzida pela Arte de Educar e estudantes, reúne relatos, entrevistas e fotos que contam o surgimento da comunidade e resgatam a cultura afro-brasileira na região. O lançamento será no dia 16 de outubro, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), na Quinta da Boa Vista.

Em percursos diários a vielas, diferentes localidades e casas da Mangueira, estudantes da Arte de Educar, de 7 a 16 anos, mapearam e entrevistaram personagens que ajudam a contar a história das influências africanas na comunidade.

De acordo com Lolla Azevedo, gestora de projetos da Arte de Educar, o levantamento valoriza a cultura local e aproxima crianças e jovens do aprendizado. “Valorizamos as diferenças e, através delas, criamos os diálogos. Aprendemos com os diferentes. Com nosso trabalho buscamos formar pessoas curiosas, observadores e que possam transformar suas próprias realidades”.

Os estudantes também participaram de rodas de conversas com representantes religiões africanas. “É uma forma de promover diversidade religiosa na educação”, comenta Lolla.


Das benzedeiras às parteiras

Nas pesquisas de campo, os estudantes descobriram que a Mangueira ainda preserva viva uma antiga crença: cuidar de saúde com “benzimento”, uma forma antiga de tratar várias doenças com amuletos, chás, garrafadas e ervas medicinais, usada desde a Idade Média na Europa.

Passando de geração a geração, as rezadeiras, curandeiras e benzedeiras são como guardiãs da memória de uma cultura popular africana que se propaga. Dona Ivanise, conhecida na comunidade como Dona Neném, é quem explica: “Quando a mulher se torna mãe, ela aprende a rezar seus próprios filhos”. Ela afirma que sempre cuidou dos filhos com ervas medicinais, pois aprendeu com sua mãe. Muito procurada e conhecida na comunidade, Dona Neném explica que é curandeira, não rezadeira. “A curandeira não reza, trabalha com as ervas”.

Já Dona Esmereciana Santos de Sena, 68, além de rezadeira, era também parteira. Mais conhecida como Dona Diara, também aprendeu a rezar com sua mãe e nunca mais parou. Ainda reza e, atualmente, ensina seus dois netos, para que essa atividade não se perca na comunidade.

Dona Luzia é uma das mais antigas rezadeiras da Mangueira. Com 95 anos, acompanhou o crescimento da comunidade e o desenvolvimento da cidade. Na pesquisa com os estudantes, ela lembrou de uma prática bastante comum realizada quando alguém fraturava pernas ou braços. “Era comum esquentar a clara de ovo e imobilizar a região fraturada com alguns pedaços de bambu e panos embebidos. O tempo de imobilização, segundo ela, variava de acordo com a idade da pessoa. Uma criança de 10 anos, por exemplo, ficava com a tala por 10 dias”, conta.


Professor Kong: luta pela valorização da capoeira

Carlos Silva, o Kong, é atualmente um dos únicos educadores que propagam a prática da capoeira no morro da Mangueira. Praticante desde 1986, no projeto Re-criança, com o mestre Canguru, Kong treinou com o contramestre Corisco, o mestre Parazinho e atualmente está treinando com o mestre Bahia.

Trabalhando com educação integral na Arte de Educar, há cinco anos, Kong desempenha também um trabalho no condomínio Mangueira 2 com crianças e adultos da localidade, envolvendo capoeira socioeducativa. “A capoeira não é muito valorizada na comunidade”, lamenta Carlos.“Por ser considerada dança e não luta, muitos meninos não se interessam tanto”. Outro preconceito toca na questão da intolerância religiosa e da associação entre capoeira e religiões de matrizes africanas.

Segundo Kong, o estigma sobre a capoeira e ser capoeirista está mudando, com a valorização de algumas práticas culturais africanas, mas ainda há algum preconceito, que atinge não só a capoeira, mas todas as práticas culturais de origem africana.


Inovação do ensino

A pesquisa das práticas culturais africanas na Mangueira foi realizada pelo Núcleo de Memória da Arte de Educar. Nele, são desenvolvidas oficinas de fotografia, vídeo e criação de textos com o objetivo de produzir reflexões das identidades socioculturais da comunidade, em diálogo com as demais produções contemporâneas, através do olhar do jovem para a sua realidade.

Em 2013 e 2014, as pesquisas de campo foram desenvolvidas também em diálogo com experiências de dois parceiros: a EMOP (Empresas de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro), responsável pelas obras a serem realizadas no PAC 2, e um grupo da Argentina que visitou a Arte de Educar, o Fronteiras Migrantes.

Além da publicação ‘Cartografia das Práticas Culturais Africanas na Mangueira’, a Arte de Educar também fez um mapeamento socioambiental dos desafios encontrados e um vídeo das tecnologias populares encontradas na favela.

FONTE: Brasil 247 em 15/10/2014
                                          Fotos: Stefano Fidalgo

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Igreja Católica pede que caso de intolerância religiosa não fique impune

A Igreja Católica pede que as autoridades encontrem o autor da intolerância religiosa cometida no último sábado, 27, em frente a Cúria (casa do bispo), próxima à Catedral Nossa Senhora de Nazaré, Centro de Rio Branco. A frase “Leia DT [Deuteronômio] 5.8. Ao Vaticano: vai adorar imagem até quando?” foi pichada na rua da residência do religioso.
Em uma rede social, o padre Máximo Lombardi, reitor da Catedral Nossa Senhora de Nazaré, lamentou o ocorrido e pediu para às igrejas não “alimentarem os fanáticos perigosos”.
“Intolerância não é o que prega Jesus, e o católico não adora imagens. Apelamos aos responsáveis das igrejas fundamentalistas a não alimentar os fanáticos perigosos”, disse Lombardi, na postagem.
O caso foi denunciado por lideranças católicas na Delegacia de Flagrantes (Defla) no último domingo, 28.  A Polícia investiga o caso.

FONTE: ecoacre.net  em 29/09/2014

Fiel é vítima de intolerância

Paraense recorrerá hoje à Justiça contra discriminação religiosa de condomínio do prédio onde mora, em SP
O ato tão comum entre os paraenses católicos de afixar o cartaz oficial do Círio de Nossa Senhora de Nazaré na porta de casa transformou-se em contenda judicial em um condomínio de São Paulo. O desentendimento começou quando a paraense Hellen Patrícia Lisboa Mauro, 32 anos, residente na capital paulista há três anos, colou em sua porta o cartaz que recebeu de presente de uma amiga e a síndica do prédio ordenou que o item fosse removido. Hellen e o marido, Rafael Mauro, ingressam ainda hoje com ação na Justiça acusando o condomínio e a síndica de intolerância religiosa.
Ao receber da mãe de uma amiga, que esteve em São Paulo, um cartaz oficial do Círio de Nazaré 2014, Hellen jamais imaginava a situação que o costume religioso estava prestes a gerar. “Eu estou neste prédio há seis meses. No condomínio anterior sempre preguei o cartaz e nunca tive problemas ou reclamações. Porém, um dia depois de afixar o cartaz, recebi uma ligação do zelador, informando que a síndica havia ordenado que eu retirasse o item da minha porta”, conta a moça.
Após a recusa, ela recebeu um contato da própria síndica, que alegou uma cláusula no regimento do condomínio que proíbe colar cartazes em áreas comuns do prédio. “No dia seguinte, pedimos para participar da assembleia dos condôminos e eu transformei o cartaz em um quadro, para que pudesse colocá-lo em minha porta como adorno. Entretanto, a implicância dela e do administrador do condomínio prosseguiu”, contou. O argumento então mudou e a dupla insistiu que era uma imagem religiosa e poderia ser ofensivo aos demais moradores.
“Outros vizinhos têm imagens religiosas em suas portas. Acho isso correto, pois cada um representa a sua fé. Mas eu estou sendo impedida de manifestar a minha fé, sob ameaça de multa por parte do condomínio”, desabafou Hellen. Após sua participação na assembleia, muitos vizinhos se ofereceram para ser testemunhas no processo. “Perguntei a cada um dos meus vizinhos se a imagem os incomodava e eles disseram que não. A síndica é que está implicando”, acrescentou.
No dia do primeiro contato acerca do cartaz, Hellen desabafou em sua página do Facebook. Até o fim da tarde de ontem, a postagem contava com quase dois mil compartilhamentos, e grande parte dos 427 comentários era de apoio à paraense. “Sou católica praticante e devota de Nossa Senhora de Nazaré. Eu e meu marido estamos nos sentindo discriminados”, disse a moça.

FONTE: ormnews em 30/09/2014


Ex-perseguida fala do combate à intolerância religiosa


Helen Berhane, perseguida na África, participa de evento em SE


Chegou a Aracaju esta semana Helen Berhane, uma perseguida religiosa, que esteve presa por mais de dois anos por seguir a religião cristã. Em Sergipe, ela deu vários testemunhos e reproduziu canções com referência ao tempo que passou presa, de modo a inspirar as pessoas no combate à intolerância religiosa. Os encontros com Helen aconteceram nesta quinta-feira, 25, na Igreja Presbiteriana 12 de Agosto.

De acordo com Helen, mesmo hoje estando livre, ela quer permanecer lutando por aqueles que ainda sofrem pelas escolhas religiosas que têm. “Eu não me sinto em paz, mesmo estando livre. Eu quero continuar orando e servindo pelos que ainda estão presos e ainda sofrem, suas famílias sofrem”, disse. “De alguma maneira, seja espiritual ou financeira, quero poder apoiar os perseguidos por onde eu passe”, completou.


Helen Berhane chamou a atenção para o fato de o Brasil ser um país livre. “As pessoas devem saber que vivem em um país livre, pois para alguns isso é muito difícil. Não é em todo lugar que existe liberdade religiosa e que essas pessoas possam valorizar isso. A igreja livre no Brasil deve encorajar e ser encorajada pelas igrejas perseguidas. Isso é muito importante”, disse.

História

Helen Berhane é natural da Eritreia, país localizado na região conhecida como Chifre da África. Devido a suas crenças, ela esteve presa por mais de dois anos em um contêiner de metal, na prisão militar de Mai Serwa. Além de presa, Helen também foi bastante ferida e esteve perto de morrer. Após os tempos de horror, Helen conseguiu sair do país africano e hoje vive na Dinamarca, de onde recebeu asilo político.

Desde maio de 2002, o governo da Eritreia permite apenas a existência de quatro grupos religiosos oficiais e controlados pelo Estado: adeptos ao islã, da Igreja Ortodoxa, da Igreja Luterana e da Igreja Católica. Os demais não têm permissão para se reunir ou atuar livremente no país e quando o fazem são perseguidos.
Por Helena Sader e Verlane Estácio
FONTE: Infonet em 25/09/2014

Ugetistas do Rio participam da caminhada contra a intolerância religiosa

A União Geral dos Trabalhadores do Rio (UGT-RJ), por intermédio da Secretaria da Diversidade Humana, participou, no último domingo (21), na orla de Copacabana, da 7ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. Segundo os organizadores, o evento reuniu cerca de mil pessoas que, empunhando cartazes e faixas, pregavam o fim da intolerância religiosa.
Este ano, a caminhada contou com a presença da ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti que, em seu discurso, afirmou que a caminhada sinaliza a cultura da paz, sugerindo, ainda, que a diversidade religiosa seja discutida na rede escolar.
Representante da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos criticou o fato de o Brasil, desde a escravidão, praticar a intolerância em relação às religiões afro-brasileiras.

FONTE: UGT-RJ em 24/09/2014





terça-feira, 23 de setembro de 2014

Homem é preso suspeito de destruir imagens de terreiro de candomblé


PM afirma que entre cinco e seis peças foram violadas em Ipiaú, na Bahia.
Suspeito foi detido em residência e levado para delegacia no domingo (21).

Um homem foi preso em Ipiaú, sul da Bahia, sob a suspeita de destruir imagens de um terreiro de candomblé no domingo (21). De acordo com a Polícia Militar, após violar as imagens, o homem foi encontrado em uma residência e levado para a delegacia.

À polícia, o suspeito disse que cometeu o crime porque estava sob efeito de álcool. Ele foi liberado após ser ouvido na delegacia e deverá responder por danos materiais. De acordo com a Polícia Militar, o terreiro teve entre seis e sete imagens destruídas.


FONTE: Portal G1 em 22/09/2014




segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Empresa que forçava empregado a participar de culto evangélico assina TAC

Por Jomar Martins


Um escritório de advocacia e consultoria empresarial de Porto Alegre não poderá praticar quaisquer atos de discriminação contra seus empregados, especialmente por motivo religioso, como sugerir a troca de determinada crença. O compromisso foi assumido oficialmente no dia 5 de setembro perante a 15ª Vara do Trabalho de Porto Alegre e prevê multa de R$ 10 mil para cada caso de descumprimento.

O acordo judicial encerra uma queda-de-braço entre o escritório e o Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul, que, por motivos de discriminação religiosa, ajuizou Ação Civil Pública contra o presidente da empresa. O escritório já estava proibido de exigir que os empregados rezem ou compareçam a sessões de leitura da Bíblia desde o dia 4 de fevereiro, quando o MPT conseguiu uma liminar nesta mesma vara.

Além de publicar a decisão no seu site e nos murais de avisos das empresas, o escritório comprometeu-se a veicular campanha educativa contra a discriminação, incluindo a religiosa, com valor de R$ 250 mil, entre 1º de novembro e 30 de dezembro. O esforço de divulgação inclui jornais,outdoors, rádio e televisão, conforme venha a ser definido pelo MPT, que assumiu a obrigação de fornecer o material pronto.

Para o procurador do trabalho Philippe Gomes Jardim, que esteve na audiência e assina a ACP, o acordo judicial é a melhor solução para o caso, ''na medida em que as empresas demonstraram preocupação em resolver a situação, inclusive comprometendo-se a divulgar campanha na mídia contra a discriminação, incluindo a religiosa’’.

‘‘Tirar o capeta’’
O responsável pela ação disse que os empregados sofriam pressão psicológica em função da opção religiosa. Isso porque eram constrangidos a participar de cultos evangélicos na sede da empresa, uma vez por semana. As denúncias foram confirmadas por meio de diligências e pelos depoimentos tomados em audiências na Procuradoria Regional do Trabalho da 4ª Região, em Porto Alegre.

Conforme os depoentes, nos cultos, o advogado dizia que iria ‘‘tirar o capeta’’ dos empregados. E quem não acreditasse em Jesus Cristo, relataram, estaria ‘‘endemoniado’’. Conforme o MPT, as manifestações são abusivas e ferem a liberdade religiosa dos funcionários, garantidas pela Constituição.

Para Jardim, a questão só foi judicializada porque a direção do escritório se recusou a resolver o problema em nível administrativo, assinando um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

FONTE: Conjur em 14/09/2014