segunda-feira, 25 de julho de 2016

Muçulmanos do Rio relatam aumento de intolerância em momentos de crise

"Olha a mulher do Bin Laden ali". A estudante carioca Ana Carolina Jimenez, 23, se acostumou a ouvir essa frase quando anda pelas ruas do Rio usando o véu que cobre sua cabeça.

Ela se converteu ao islã há dois anos. Filha de família católica -chegou a fazer até crisma-, decidiu pela religião muçulmana após iniciar uma busca pela sua espiritualidade.

"Antes de conhecer, eu também achava que o islã era uma religião de extremistas, de terroristas. Quando fui pesquisar, vi que ele prega a paz e o amor, e que quem pratica o mal em nome do islã são pessoas que entenderam errado a sua mensagem", diz.
A comunidade muçulmana no Rio está apreensiva com o temor generalizado de ataques terroristas na Olimpíada. A prisão de dez pessoas suspeitas por associação ao terrorismo aumentou a tensão.

Em momentos como esse, cresce a intolerância contra muçulmanos no país. Os principais alvos são as mulheres, mais facilmente identificáveis por usarem o tradicional véu.

Jimenez conta que em outubro passado aguardava em um ponto de ônibus em Higienópolis, zona norte, quando recebeu uma cusparada e uma ofensa verbal -"mulher bomba".

A jovem fará parte de um grupo de voluntários que trabalharão no centro interreligioso que foi montado na Vila dos Atletas durante as Olimpíadas. A ideia é que os competidores tenham um local para fazer suas orações de acordo com suas crenças.

Jimenez frequenta a Mesquita da Luz, na Tijuca, zona norte do Rio, a única do Estado do Rio. A SBM-RJ (Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio), que administra a mesquita, está organizando grupos de fieis para distribuir panfletos em Copacabana e na Tijuca durante dos Jogos, a respeito da religião e contra a intolerância.

Fiéis ouviam, nesta sexta-feira (22), sermão comandado pelo sheik moçambicano Adam Muhammad, 41. O próprio sheik, posição equivalente ao pastor da igreja evangélica, diz sentir na pele o preconceito quando anda pelas ruas com seu traje típico- a gafirah, espécie de touca de crochê branca, e a kandura, túnica com colarinho.

"As pessoas atravessam a rua ou não querem subir no elevador comigo. Minha esposa foi chamada de 'mulher bomba' no shopping Tijuca recentemente", disse ele.

A Lei 7.716, de 1989, tipifica o crime de intolerância religiosa, que prevê de um a três anos de multa. Antes do fim do sermão, o presidente da SBM, Mohamed Abdien, pediu calma aos fieis diante das notícias.

"Não vamos nos apavorar. Não revide, não entre em discussão. Temos que mostrar que somos de paz. Não deixem que o medo invada o coração de vocês", disse.

FONTE: Jornal Floripa em 25/07/2016

Comitê olímpico insiste em deixar umbanda e candomblé fora do centro ecumênico

Por Marcella Fernandes
Apesar da recomendação do Ministério Público para ampliar as religiões representadas no centro ecumênico dos Jogos Olímpicos, o Comitê Organizador Rio 2016 não vai contemplar religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé.

O locai vai oferecer cerimônias do cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo e budismo das 7h às 22h, com rituais em português, espanhol e inglês. Ao todo, mais de 10 mil atletas olímpicos e 4 mil paralímpicos de 200 países ficarão abrigados na Vila Olímpica.

Em 6 de julho, o Ministério Público Federal recomendou ao presidente do comitê, Carlos Arthur Nuzman, que revisse a medida. Ele tinha o prazo de cinco dias para responder, o que não aconteceu. O comitê também não se reuniu com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa.

“O Brasil conta com mais de 588 mil adeptos de religiões de matriz africana, sendo que o estado do Rio de Janeiro concentra significativo número de seguidores dessas religiões”, argumentam os procuradores regionais de Direitos do Cidadão Ana Padilha e Renato Machado. Segundo o último censo do IBGE, há pouco mais de 148 mil seguidores fluminenses de religiões de matriz africana.

Eles citam o artigo 5º da Constituição, de acordo com o qual, todos são iguais e é "inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e liturgias".

O Ministério Público lembra ainda que, de acordo com o artigo 215 da Constituição, o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.

A Lei 12.288/2010 determina que o poder público adotará medidas para o combate à intolerância com religiões de matrizes africanas e à discriminação de seus seguidores.

Além das religiões de matriz africana, que respondem por 0,3% do total de praticantes de religião no Brasil, o espiritismo, com 2% dos brasileiros religiosos, também não terá representantes de plantão no local.

O comitê não respondeu aos questionamentos da reportagem do HuffPost Brasil. Antes da recomendação do MP, o órgão informou que havia priorizado as cinco religiões mais seguidas pelos atletas que participarão das competições com base em levantamento estatístico. O comitê disse ainda que o centro estará aberto para adeptos de todas as religiões.

FONTE: Huffpost Brasil em 22/07/2016

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Homem invade culto de umbanda em RO, chuta oferenda e coloca fogo

Um homem de 35 anos foi conduzido até a delegacia de Cacoal (RO) após interromper um culto de umbanda e chutar a vasilha de pipoca que estava sendo entregue como oferenda em uma mata. O caso aconteceu no domingo (10). Segundo a Polícia Militar (PM), a oferenda estava na mão de um adolescente, que acabou ficando com hematomas por causa do chute. Após invadir o local, o suspeito também ameaçou os fiéis com um pedaço de madeira e colocou fogo na vegetação para queimar a oferenda.

De acordo com Cesar Torres, responsável pelo terreiro, a confusão teve início quando ele pediu para que um grupo fosse até a mata entregar as oferendas como agradecimento. Na ocasião, um morador do bairro resolveu interferir na cerimônia, iniciando uma discussão com os membros.


“Quando o pessoal foi fazer a entrega, o homem apareceu na rua dizendo que não era para continuar com o ritual. Como eles disseram que não podia parar com a cerimônia, pois somos amparados pela lei, ele se revoltou e chutou as oferendas. Depois ameaçou a moça que estava no grupo com um pedaço de pau”, relata.

Na ocasião, o ainda colocou fogo na vegetação ao tentar queimar as oferendas. Após a ação, o grupo chamou a Polícia Militar (PM) para registrar a agressão e ameaças. Na sequência, todos os evolvidos foram encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil, a fim de prestar esclarecimentos.

Durante confecção do boletim de ocorrência, o suspeito confessou que chutou as oferendas, pois segundo ele, o grupo estaria fazendo “macumba” na frente de sua casa e isso o teria irritado. Ele negou a ameaça e disse que apenas pegou o pedaço de madeira, mas não ameaçou ninguém com o objeto. O suspeito alega também que os rituais são realizados a qualquer hora do dia e na frente de crianças, o que lhe deixou revoltado.

Cesar Torres nega as acusações e diz que a mata pertence a um conhecido da entidade religiosa e que eles teriam permissão para fazer as oferendas no local. “Sempre realizamos oferendas em forma de agradecimento aos Orixás. Entregamos alimentos e temos o cuidado de deixar na mata apenas o que a própria natureza poderá consumir, seja pelos pássaros ou pela própria terra. Não colocamos nada com fogo ou materiais que possam poluir o meio ambiente”, explica.

Cesar revela também que está movendo uma ação contra o homem por agressão, ameaça, intolerância religiosa. “Agora vou até fim com esse caso, pois as pessoas precisam aprender as respeitar o direito de culto das demais”, aponta.

FONTE: Portal Espigão em 12/07/2016

segunda-feira, 11 de julho de 2016

MPF quer religiões afro-brasileiras no Centro ecumênico da Vila Olímpica

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF/RJ) recomendou ao Comitê Organizador da Rio 2016 que as religiões afro-brasileiras sejam contempladas no centro inter-religioso ecumênico da Vila Olímpica.

A representação, assinada pelos procuradores Ana Padilha de Oliveira e Renato Souza Machado, foi elaborada após a divulgação de que apenas cinco religiões - cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduísmo e budismo - estarão representadas na Vila Olímpica.

Para o Ministério Público, o critério demográfico adotado pelo Comitê Organizador é razoável, mas ignora o peso de outras religiões na cidade e no país que sediará os Jogos. De acordo com o IBGE, as religiões afro-brasileiras possuem cerca de 148 mil adeptos no estado do Rio, ou cerca de 0;9% da população estadual, de mais de 16,6 milhões de pessoas.

Na recomendação, datada da última quarta-feira (6) e encaminhada ao presidente do Comitê Organizador, Carlos Arthur Nuzman, os procuradores pedem que o MPF seja informado em até cinco dias úteis acerca das providências adotadas.

Sem restrição, diz Rio 2016
Diretor executivo de comunicação e engajamento da Rio 2016, Mario Andrada e Silva explicou que não há restrição a qualquer credo religioso no centro ecumênico.

Segundo ele, sacerdotes de qualquer religião terão acesso ao local, caso seja a vontade de algum atleta.

Andrada esclarece que a menção às cinco religiões vem do fato de que foram estas as mais solicitadas nas últimas edições dos Jogos, levando o comitê Rio 2016 a inclui-las numa espécie de pré-seleção, sem no entanto excluir os demais cultos.

"Basta que um só atleta peça para realizar um culto de sua religião e o pedido será atendido. Infelizmente o MPF fez essa recomendação com base em informações falsas", afirmou o dirigente.

FONTE: Portal G1 em 08/07/2016

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Religiões africanas ficam de fora de centro ecumênico na Vila Olímpica

Por Tâmara Freire

Em agosto e setembro, o Rio de Janeiro vai receber mais de 10 mil atletas olímpicos e 4 mil paralímpicos provenientes de mais de 200 países, trazendo na bagagem também incontáveis maneiras de cultuar o sagrado.

O Comitê Organizador dos jogos diz que é impossível atender a todas, mas, pelo menos, um espaço ecumêmico está garantido para aqueles que contam com uma ajuda da fé para superar seus limites.

O centro inter-religioso da Vila Olímpica será coordenado pelo padre Leandro Lenin, ligado à Arquidiocese do Rio de Janeiro.

As cinco religiões que terão espaço dentro do centro são o cristianismo, islamismo, judaísmo, hinduismo e budismo, com vinte e quatro capelões voluntários de diferente vertentes.

Apesar da justificativa demográfica na escolha, o babalawo Ivanir dos Santos, presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro, acredita que as religiões de matriz africana não deveriam ter ficado de fora.

O centro vai funcionar das 7h às 22h, promovendo cerimônicas conforme os rituais de cada religião em três idiomas: português, espanhol e inglês.

O espaço terá ainda um ambiente de convivência e uma sala para aconselhamento particular aos atletas.

FONTE: EBC em 03/07/2016

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Suspeitos de incendiar centro espírita em Sobradinho viram réus no DF

Justiça recebeu denúncia do MP e vai ouvir envolvidos; caso foi em janeiro.
Juiz determinou distância de réus do local, mas não informou a metragem.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal recebeu nesta terça-feira (21) a denúncia do Ministério Público contra cinco suspeitos de incendiar o Centro Espírita Auta de Souza, em Sobradinho II, em janeiro deste ano. Com a decisão, os acusados se tornam réus na Justiça. Cabe recurso.

Os homens moram na vizinhança do templo incendiado são vizinhos do local e foram proibidos pelo juiz Osvaldo Tovani, da Vara Criminal de Sobradinho, de se aproximar do local. Na decisão, não ficou definida a distância mínima que os réus devem manter do centro espírita.

Na denúncia, realizada no fim de maio, o MP pediu que os gestores do centro espírita Auta de Souza fossem indenizados em R$ 70 mil, sendo R$ 30 mil referentes aos danos materiais e outros R$ 40 mil aos danos morais coletivos. O tema é tratado em outra ação, segundo o TJ.

O caso foi qualificado pelo órgão como crime de intolerância religiosa, que tem pena prevista de 1 a 3 anos de detenção, e de incêndio qualificado, de 4 a 8 anos de reclusão, quando é praticado contra obra de assistência social.

Incêndio
Segundo o MP, os envolvidos usaram gasolina e etanol para atear fogo no chão, nos móveis e no telhado da construção, na madrugada de 29 de janeiro. Além do dano material, os suspeitos teriam colocado em risco "a vida e a saúde de moradores de outros imóveis localizados no terreno", que acordaram com o calor e deixaram o local a tempo.

“A discriminação por intolerância religiosa é um câncer social. Este é o mesmo princípio que tem motivado as barbáries praticadas pelo Estado Islâmico. Independentemente de concordarmos com as práticas religiosas de outras pessoas, temos todos o dever ético de respeitar as suas convicções”, afirmou à época o promotor de Justiça Thiago Pierobom.

O magistrado entendeu que estavam presentes os requisitos legais para o recebimento da denúncia, havia provas da materialidade e indícios de autoria, e não vislumbrou a incidência das hipóteses de rejeição da denúncia, previstas no artigo 395 do Código de Processo Penal.

O centro existia no local desde a década de 1970. O filho do fundador e assistente social Guilherme Varandas afirmou, à época, que o incêndio tinha sido criminoso. "Os indícios são o arrombamento, segundo os bombeiros, na janela principal, e o único lugar onde poderia haver essa combustão foi a sala de costura", disse.

As chamas destruíram todas as janelas do centro espírita, que fica na chácara 14 do Núcleo Rural II. O forro do teto derreteu, e móveis e objetos foram perdidos. O Corpo de Bombeiros afirma que o combate ao incêndio levou cerca de 10 minutos.

"[Danificou] praticamente a estrutura da casa. Internamente, tudo foi danificado, perdeu. No forro, o PVC todo derreteu devido à grande incidência da temperatura interna, e um cômodo foi totalmente destruído", enumerou o sargento do Corpo de Bombeiros Salomão Leite, que ajudou no controle do fogo.

FONTE: Portal G1 em 21/06/2016

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Confusão em terreiro de candomblé termina na delegacia

Por Valquíria Oriqui

Confusão iniciada na madrugada de hoje, em terreiro de candomblé localizado no Bairro Bosque de Avilan, em Campo Grande, terminou na delegacia. Conforme boletim de ocorrência registrado pela dona do estabelecimento religioso e outra vítima, a briga começou depois que um homem jogou um copo na direção de uma das convidadas.

Segundo consta no registro, depois que o homem chegou no culto e arremessou o objeto na direção da mulher, tentou agredi-la, em seguida os dois começaram a trocar agressões físicas.

Após o ocorrido a vítima contou que deslocou o ombro e teve escoriações nas mãos. A mãe de santo disse ainda que antes de ir embora o homem gritou que voltaria com outras pessoas, cobriria a casa dela de tiros e mataria quem estivesse no local.

FONTE: Correiro do Estado em 12/06/2016