quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Ato no Rio pede fim da intolerância religiosa e defende liberdade de expressão

O fim da intolerância religiosa e a defesa da liberdade de expressão marcaram os debates do encontro de líderes religiosos hoje (21) na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio de Janeiro, em uma parceria da entidade com a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (Ccir) e o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap).
No encontro, os líderes religiosos destacaram em uma carta que “a liberdade religiosa é um patrimônio social que precisa ser devidamente resguardado para que extremistas não cometam crimes em nome de Deus”. No documento, eles pedem a criação de um Plano Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. O babalaô Ivanir dos Santos, integrante do Ceap, disse que este é o momento de promover a ética e a discussão responsável do tema pela sociedade.
“Falam das responsabilidades dos dois segmentos que neste momento estão em evidência, que são os religiosos e a imprensa, das nossas responsabilidades de um espaço e diálogo comum para construir um Plano Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, com intelectuais e todo mundo que queira participar, inclusive aqueles que não concordam com a gente, porque têm direito de falar, mas em um foro apropriado. Não podemos ter medo do debate”, destacou o babalaô.
A pastora luterana Lusmarina Campos Garcia, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Rio de Janeiro, destacou que não se pode aceitar também atos de discriminação contra muçulmanos, como ocorre em várias partes do mundo, por estabeleceram ligação entre eles e os atos violentos praticados por extremistas islâmicos na sede do jornal Charlie Hebdo, em Paris.
“Nem a liberdade religiosa nem a liberdade de expressão podem ser instrumentalizadas para construções falsas. É preciso ter cautela neste momento. Nós precisamos tomar muito cuidado para não reforçar a construção que associa terrorismo ao Islã; construção essa que tem caráter político e interesse econômico. Muçulmano e terrorista não são duas palavras correspondentes”, disse sob aplausos.
Para o diácono do Clero da Arquidiocese do Rio de Janeiro Nelson Augusto Águia, que representou o arcebispo dom Orani Tempesta na reunião, neste momento os religiosos devem ter um testemunho de harmonia, de paz e de misericórdia. “A gente tem que parar para pensar em como podemos dar este testemunho. A paz não vem pela polícia nem pela política, [mas pelo] respeito, diálogo e compreensão. Tudo isso devemos praticar e ressaltar para que não fiquem na masmorra. O papa Francisco tem pedido muito respeito com todos os credos.”
O diretor cultural da ABI, Jesus Chediak, também defendeu a liberdade de expressão, mas ponderou que há critérios que devem ser observados. “Nada justifica metralhar pessoas. Isso é uma barbárie, mas, por outro lado, não se pode ridicularizar. Não vou bater palma para quem fazia isso. Na medida em que estou falando mal de um orixá, por exemplo, estou atingindo aquele grupo humano que acredita naquilo. Isso não é liberdade. É perder o limite.”
Na avaliação da pioneira do movimento Hare Krishna no Brasil e integrante da Ccir, Raga Bhumi Devi Dasi, a diversidade de religiões que existe no país precisa ser mais divulgada para ser mais entendida pela sociedade. “Para que a população comece a compreender que existe uma diversidade religiosa e que cada um tem a sua religião, assim como existem diferentes classes, raças, culturas, falamos línguas diferentes também. Cada religião deve ser respeitada em suas tradições e seus valores. Isso não invalida que a gente evolua mais."
O ato lembrou também que hoje é comemorado o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído por causa da morte da fundadora do terreiro de Candomblé Ilê Axé Abassá de Ogum, Gildásia dos Santos e Santos, em Salvador. A mãe de santo teve um infarto, em 21 de janeiro de 2000, depois de ver o rosto estampado na capa da Folha Universal com a manchete “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”.


FONTE: Agência Brasil em 21/01/2015

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Mãe da luta contra a intolerância religiosa terá busto em sua homenagem, em Salvador

O Terreiro Asé Abassá de Ogum, da Bahia, a Fundação Gregório de Mattos (FGM) e a Fundação Cultural Palmares (FCP/MinC) realizarão na sexta-feira (28) a solenidade de inauguração do busto em homenagem a Mãe Gilda de Ogum, símbolo do combate à intolerância religiosa no Brasil.
A peça irá compor o acervo de esculturas do Parque Metropolitano do Abaeté, em Itapuã, Salvador. O objetivo é que ela marque a história de vida da yalorixá e não permita o esquecimento da manifestação de intolerância que teve como resultado seu falecimento. Mãe Gilda sofreu agressões de instituições que, por meio da imprensa, a acusavam de charlatanismo.
Tributo – A proposta da homenagem a partir do busto foi idealizada por Jaciara dos Santos, filha biológica de Mãe Gilda. Em janeiro de 2014, foi assinado pelo presidente da FCP, Hilton Cobra, e pelo presidente da FGM, Fernando Guerreiro, o protocolo de intenções para a instalação do busto em homenagem a Mãe Gilda, no bairro Nova Brasília de Itapuã, onde ela viveu.
Alexandro Reis, diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro da FCP, destaca a importância de Mãe Gilda aos remanescentes e religiosos de matriz-africana. “Maior vítima de agressões por religiosidade, na década de 1990, foi ela, a inspiradora das reflexões em torno da tolerância e do respeito à liberdade de crença”, recorda.
Reconhecimento - O Governo Federal instituiu, no ano de 2007, o 21 de janeiro como o Dia de luta contra a intolerância religiosa. Nesta data, pessoas de diferentes credos, raças, etnias, sexo celebram mais um passo a favor da dignidade humana para compartilhar caminhos que possibilitem o enfrentamento à intolerância religiosa.
Liderança religiosa e ativista social, Mãe Gilda se destacou por sua personalidade forte. Participou de manifestações públicas e conquistou direitos que atendessem a demanda do bairro onde vivia, além de necessidades específicas da população negra. Por sua envergadura, tornou-se referência na luta para que cada brasileiro tivesse o direito de expressar a própria fé, segundo suas crenças e/ou filosofias.
Serviço
O que: Inauguração do busto em homenagem a Mãe Gilda de Ogum Quando: 28 de novembro Horário: 10h Local: Largo do Abaeté Endereço: Largo do Abaeté, Nova Brasília de Itapoã, Salvador – BA

FONTE: Palmares Fundação Cultural em 25/11/2014

Rede de Combate ao Racismo e Intolerância Religiosa apresenta plano de ação

A Procuradoria Geral do Estado sediará na próxima sexta-feira (21), às 14h, a reunião para apresentação do plano de ação da Rede de Combate ao Racismo e Intolerância Religiosa.
As ações previstas no plano têm por objetivo aumentar o grau de resolutividade dos casos de combate ao racismo e intolerância religiosa, promover a igualdade racial e garantir os direitos da população negra, através da atuação conjunta dos seus integrantes.

“Trata-se de um momento bastante oportuno para recebermos esta reunião, já que este mês estamos comemorando o Novembro Negro. Com a realização deste evento a PGE cria um marco participativo na sua história e de toda a campanha em prol da comunidade negra brasileira”, afirmou à procuradora Cléia Costa dos Santos.

Participam do encontro o Procurador Geral do Estado, Rui Moraes Cruz, e o Secretário de Promoção da Igualdade Racial, Raimundo José Pedreira do Nascimento.

Integram a rede o Ministério Público do Estado da Bahia, Ministério Público Federal, Tribunal de Justiça da Bahia, Assembleia Legislativa, Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, Justiça Federal, Procuradoria Regional do Trabalho, Defensoria Pública da Bahia, Defensoria Pública da União, Procuradoria Geral do Estado, secretarias estaduais, Universidade Federal da Bahia, Universidade do Estado da Bahia, Universidade do Sudoeste da Bahia, Ouvidoria Geral do Estado e entidades da sociedade civil.

A Rede

A Rede é um conjunto de ações com o objetivo de combater a discriminação racial e a intolerância religiosa, através da criação do centro integrado.

Entre as ações desenvolvidas pela Rede está o fortalecimento das organizações da sociedade civil que prestam serviços de acompanhamento e atendimento às pessoas; integração e compartilhamento de banco de dados das organizações articuladas na Rede para recebimento de denúncias, acompanhamento de casos e divulgação de informações sobre racismo e intolerância; e estímulo à produção acadêmica e formação de agentes multiplicadores do conhecimento sobre legislação antirracista e anti-intolerância religiosa.

A Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa conta com um centro de referência, que é uma das portas de entrada para os casos acompanhados pela Rede. A sede funciona na Avenida Sete de Setembro, no Prédio da Fundação Pedro Calmon, no centro de Salvador. No local, as denúncias são ouvidas e encaminhadas pelos representantes aos órgãos e entidades que trabalham no combate à discriminação racial.

FONTE: ASCOM/PGE em 17/11/2014

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Reunião discute medidas para proteger a Pedra de Xangô, alvo de intolerância religiosa

Uma reunião de representantes de órgãos públicos estaduais e municipais, nesta sexta-feira (14), vai discutir ações conjuntas para proteger a Pedra de Xangô, local na periferia de Salvador considerado sagrado pelos terreiros de candomblé e que vem sendo alvo de ataques e manifestações de intolerância religiosa.

O encontro foi articulado pelo secretário estadual de Promoção da Igualdade Racial, Raimundo Nascimento, após tomar conhecimento de uma denúncia registrada na última quarta-feira (12) ao Centro de Referência Nelson Mandela por um grupo de pessoas ligadas a religiões de matriz africana.

A Pedra de Xangô tem sido alvo constante de atitudes desrespeitosas à fé dos devotos de religiões de matriz africana e inclusive prejudiciais ao meio ambiente, como o despejo de sal e enxofre no local, pichações e quebra de vasilhames com oferendas aos orixás.

Na quarta-feira, antes de apresentar denúncia no Centro de Referência Nelson Mandela, um grupo de representantes de terreiros de candomblé da capital baiana participaram de um ato contra a intolerância religiosa na Pedra de Xangô, nas proximidades do conjunto Cajazeira 10.

FONTE: Bahia Toda Hora em 14/11/2014

Intolerância religiosa motiva ato de repúdio na Pedra de Xangô, em Cajazeiras


Um ato contra a intolerância religiosa realizado, nesta quarta-feira (12), por representantes de povos de terreiros da Bahia, na Pedra de Xangô, em Cajazeiras X, em Salvador, teve a presença do secretário da Promoção da Igualdade Racial do Estado, Raimundo Nascimento. A ação foi motivada em decorrência de uma agressão à fé das religiões de matriz africana, no início deste mês, quando 200 quilos de sal foram despejados na pedra – sagrada para as religiões afros – e no seu entorno, o que, além de desrespeitar o povo de santo, causa danos ao meio ambiente.

Além disso, o monumento foi pichado e as oferendas destruídas. De acordo com secretário, a ação foi organizada pela comunidade e por entidades que tratam da religiosidade de matriz africana. “É uma resposta a este ato de intolerância que não é isolado. Vem ocorrendo em toda a Bahia. Existem diversos casos de falta de respeito. Todos têm direito ao culto, sejam evangélicos, espíritas, católicos ou do candomblé. Este é o tipo de ato que precisa ser punido pela Justiça”.

Antes do ato na pedra sagrada, o grupo de representantes dos povos de terreiros oficializou a denúncia no Centro de Referência Nelson Mandela. A ialorixá Iara de Oxum, do terreiro Ilê Tomim Kiosise Ayo, avalia que todo apoio é importante porque ajuda a reduzir a intolerância. “Já temos a recuperação do Parque de São Bartolomeu, já temos diversos terreiros tombados. os olhos da gente estão vendo estas ações”.

O tata kivonda do Unzó Usoba Matamba, de Águas Claras, Edvaldo Matos, esclareceu o caso na unidade, juntamente com outros representantes de povos de terreiros. “Por causa do ataque ao nosso símbolo sangrado, tomamos a iniciativa de buscar as autoridades públicas e relatar os detalhes para que sejam tomadas as devidas providências, como é o caso do Centro de Referência, que nos orientou”.

Texto: Secom e Sepromi
 

 Foto: Amanda Oliveira/GOVBA

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Relatório mostra crescimento da perseguição religiosa em todo o mundo

Nos países em que houve alguma mudança referente à liberdade religiosa, foi para pior
A organização 'Aid to the Church in Need' produziu o Relatório "Liberdade Religiosa no Mundo - 2014", em que jornalistas, acadêmicos e comentaristas de todo o mundo trabalharam para revelar preocupações acerca da liberdade religiosa em 116 países, que representa quase 60% de todo o mundo.
Nas 196 nações analisadas, entre 2012 e 2014, ficou constatado que, nos países em que houve alguma mudança referente à liberdade religiosa, foi para pior.
Em 55 dos países observados (ou 28 por cento), a deterioração das condições de liberdade religiosa é claramente visível. Apenas seis dos 196 países – Irã, Emirados Árabes Unidos, Cuba, Catar, Zimbábue e Taiwan – foram classificados com uma melhoria. Porém, desses, quatro permanecem como vivendo em "médio" ou "alto" nível de perseguição.
Em 14 dos 20 países considerado com elevado grau de intolerância religiosa ou perseguição ativa, o problema está ligado ao islã extremista. São eles: Afeganistão, República Centro-Africana, Egito, Irã, Iraque, Líbia, Maldivas, Nigéria, Paquistão, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Síria e Iêmen.
Nos seis países restantes – Mianmar, China, Eritreia, Coreia do Norte, Azerbaijão e Uzbequistão – a perseguição religiosa está relacionada, sobretudo, a regimes autoritários.

FONTE: Guiame em 10/11/2014

Papa condena terrorismo e violações à liberdade religiosa

Francisco falou num mundo “conturbado” e recordou a importância do testemunho de unidade e fraternidade entre todos os cristãos para responder aos “problemas e dramas” de hoje.
em todo o mundo, pedindo uma reacção contra a “globalização da indiferença".

Num discurso perante os participantes no congresso ecuménico dos bispos amigos do Movimento dos Focolares, reunidos em Roma, Francisco lamentou o facto de que “em muitos países falte a liberdade de manifestar publicamente a religião e viver abertamente segundo as exigências da ética cristã”.

O Papa referiu-se às “perseguições em relação aos cristãos e outras minorias”, ao “triste fenómeno do terrorismo” e ao “drama dos refugiados”. Nesse contexto, convidou os presentes a enfrentarem “os desafios do fundamentalismo” e do “secularismo exacerbado”, realidades que “interpelam” os responsáveis da Igreja.

A intervenção sublinhou a necessidade de responder à “globalização da indiferença” com uma “globalização da solidariedade e da fraternidade”.

O Relatório 2014 sobre a liberdade religiosa no mundo, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que foi apresentado esta semana a nível internacional, revela que os cristãos são o grupo mais atingido pelas violações à liberdade de culto, em particular no Médio e Extremo Oriente.

O Papa Francisco falou num mundo “conturbado” e recordou a importância do testemunho de unidade e fraternidade entre todos os cristãos para responder aos “problemas e dramas” de hoje. “Esta fraternidade é um sinal luminoso e atractivo da nossa fé em Cristo ressuscitado”, precisou.

Francisco concluiu com votos de que o congresso ecuménico traga “frutos abundantes de crescimento na comunhão e no testemunho da fraternidade”. 
 
FONTE: Renascença em 07/11/2014