sexta-feira, 27 de março de 2015

MPF acolhe denúncia contra Gladiadores, da Igreja Universal

Rio -Representantes de religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé, obtiveram uma vitória com a decisão do Ministério Público Federal (MPF) na Bahia de instaurar inquérito civil para apurar as denúncias de intolerância religiosa que foram protocoladas pelo órgão na última segunda-feira, nas capitais de todo o país, inclusive no Rio.

As denúncias são direcionadas especificamente ao recém-criado grupo Gladiadores do Altar, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Candomblecistas e umbandistas reuniram uma série de vídeos que, segundo eles, configuram ameaça à integridade física dos praticantes das religiões afro-brasileira. “Tivemos um caso emblemático no dia 21 de janeiro de 2000 e, de lá para cá, muitos outros, mas nada foi feito. Temos que dar um basta nesta intolerância. A gente não suporta mais”, explicou o babalorixá Babá Pecê, coordenador nacional do Movimento Povo de Santo.
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O caso ao qual Pecê se refere é de Mãe Gilda de Ogum, que teve o terreiro invadido em Salvador por fiéis da Universal no fim de 1999. A data de sua morte, por complicações cardíacas, em janeiro de 2000, foi transformada em Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

“Nossa obrigação é proteger os pilares da integridade religiosa. A representação será protocolada, distribuída, vai receber um número. Um procurador da República será designado para atuar no caso”, disse o procurador-chefe Pablo Barreto.

O procurador regional dos Direitos dos Cidadãos na Bahia, Edson Abdon, disse ao jornal ‘A Tarde’ que os Gladiadores do Altar “têm características perigosas” e por isso serão investigados.

O MPF ainda não decidiu em qual estado ficarão concentradas as investigações, se na Bahia, onde as denúncias foram acolhidas, em São Paulo, sede da Igreja Universal, ou em Brasília. A primeira medida a ser tomada deverá ser a convocação de uma audiência pública entre as partes para buscar um acordo.

A Igreja Universal se colocou à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos e reiterou que preza pelo respeito aos fiéis de todas as religiões. Em relação aos Gladiadores do Altar, a ela garante se tratar apenas de um projeto pacífico de ensino religioso, nada além disso.

FONTE: Jornal O Dia em 26/03/2015

quarta-feira, 25 de março de 2015

Umbandistas e candomblecistas pedem investigação para 'Gladiadores do Altar'

Representantes do Povo de Santo se reuniram no MPF do RJ para protestar e entregar documentação com denúncias contra a Igreja Universal do Reino de Deus do Ceará. De acordo com o grupo, o protesto ocorreu em outras capitais brasileiras

O prédio do Ministério Público Federal, localizado no Centro do Rio de Janeiro, recebeu cerca de 150 representantes do Povo de Santo(Umbanda e Candomblé), que foram protestar contra a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), após a divulgação de um vídeo pela Iurd do Ceará.

Durante o protesto, os umbandistas e candomblecistas, que se dizem assustados com a composição de grupos como o 'Gladiadores do Altar', pediam a realização de uma audiência com representantes da Igreja Universal, a fim de esclarecer sobre o objetivo do grupo para que, assim, seja ajuizada ou não uma ação penal.

Eles levaram ao procurador federal Jaime Mitropoulos uma documentação vasta, com denúncias graves contra a Iurd e também relembraram sobre quando foram vítimas de intolerância religiosa, como em casos de incêndios e depredações de terreiros.

Segundo eles, o protesto ocorreu em outras 24 capitais brasileiras.

Saiba mais sobre o caso

Conforme O POVO noticiou, algumas imagens gravadas em Fortaleza pela Iurd e publicadas em fevereiro geraram burburinho nas redes sociais. Jovens integrantes do programa 'Gladiadores do Altar' aparecem em um culto, andando enfileirados, reproduzindo saudação militar e gritando que estão "prontos para a batalha".

O vídeo que mostra rapazes de "diversas idades para servir a Deus no Altar" recebeu milhares de visualizações, além de compartilhamentos e críticas, sendo retirado do ar logo depois.

Em nota enviada ao O POVO, no entanto, a Iurd afirmou que o vídeo diz respeito à uma apresentação de grupos da igreja, que ocorre em "eventos únicos, com coreografia ensaiada para marcar festivamente a ocasião. Desde então, em cada localidade, tais eventos não se repetiram mais e nem se repetirão".

“A comunidade está assustada com os vídeos que viu destes grupos paramilitares, fardados, de coturno, que promovem pseudoexorcismos de seus orixás e adotam discurso violento contra a liturgia dessas religiões”, afirmou o advogado Luiz Fernando Martins da Silva, que representa o grupo e que também é candomblecista.

FONTE: Jornal O Povo em 24/03/2015

terça-feira, 3 de março de 2015

Rio de Janeiro lidera ranking em casos de discriminação religiosa


Para uma pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião, a liderança do estado no ranking se deve à força das instituições que defendem a liberdade religiosa. Em 2010, 45,81% da população fluminense era católica e 29,37%, evangélica

Há oito meses, mãe Conceição de Lissá, de 53 anos, vê seu terreiro - o que sobrou dele - com cada vez menos fiéis. Antes de um incêndio destruir o barracão no Jardim Vale do Sol, em Duque de Caxias (cidade na Baixada Fluminense), cerca de 100 pessoas participavam dos rituais. Agora, em média, 20 aparecem. O medo, após o oitavo ataque em oito anos, é um dos motivos para a debandada. Também influi o fato de o barracão ainda estar destruído, o que limita os rituais à área externa do terreiro. Quando chove, as atividades são suspensas.

Episódios de intolerância como esse colocaram o Rio de Janeiro na primeira posição entre os estados brasileiros no número de denúncias sobre discriminação religiosa em 2014. De acordo com levantamento da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, o Rio teve 39 queixas no último ano e ultrapassou São Paulo como Estado com mais relatos de intolerância ao Disque 100 (número disponibilizado pela Secretaria como canal de denúncias).

Os registros paulistas caíram entre os dois anos, de 50 para 29, enquanto o índice do Rio se manteve o mesmo. O índice nacional também caiu: de 231 para 149.

Desde o incêndio, mãe Conceição faz terapia e agora tenta reconstruir o terreiro. Ela conta que ainda faltam R$ 150 mil para concluir a reforma. "Tivemos uma perda considerável, ficamos muito fechados para nós mesmos. A gente precisa renascer, a gente precisa retornar as nossas atividades normais, as nossas festividades." Segundo ela, várias vítimas de intolerância contra religiões afro não denunciam "porque as casas ficam desacreditadas". "Vai acontecer o que aconteceu com a minha casa."

Para Janayna Lui, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião, a liderança do Rio no ranking se deve à força das instituições que defendem a liberdade religiosa. "De uns dois, três anos para cá, há um movimento no Rio para impulsionar a criação de políticas públicas contra a intolerância religiosa", diz, citando o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap) e a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR).

A segunda razão, diz a pesquisadora, é que o ensino religioso no Estado é controverso e pode ter gerado denúncias ao Disque 100. Lei estadual de 2000 estabelece que o modelo adotado no Rio é o confessional, ou seja, cada aluno deverá ter aulas ministradas conforme seu credo. O problema é que faltam professores de religiões de matrizes africanas, por exemplo. "As escolas afirmam que não há demanda. E aí a criança acaba sendo colocada em uma sala de aula da religião que não é a sua." De acordo com o Censo de 2010, 45,81% da população fluminense é católica e 29,37%, evangélica.

O preconceito é uma das memórias que a cigana Miriam Stanescom, 77, guarda dos tempos de escola. "Eu brigava muito no colégio. Se sumia uma borracha, a culpa era minha. Me formar foi o maior milagre da minha vida", relata. A discriminação acompanhou sua rotina acadêmica.

Vitórias da equipe de vôlei da qual fazia parte, por exemplo, eram fruto de "feitiçaria" para os colegas. "Quando passei no vestibular, muita colega minha que não passou falava: 'ah, mas a cigana é feiticeira'. Dá para fazer um livro com as histórias de preconceito".

FONTE: EM Digital em 03/03/2015

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Jovens armados invadem paróquia, agridem padre e quebram imagens de “ídolos”

Um novo caso de intolerância religiosa contra católicos foi registrado no último sábado, 14 de fevereiro, quando um grupo de jovens armados invadiu uma paróquia e agrediu o padre, além de destruir as imagens dos santos da religião.

O pároco da Igreja Santa Luzia, em Maceió (AL) disse que viveu momentos de desespero quando foi feito refém pelos jovens, que por uma hora o agrediram e mantiveram cativo: “Eles quebraram as imagens falando que eram de ídolos”, disse o padre Paschal Prosper, de 62 anos, que se recuperava de uma cirurgia.

Outras 10 pessoas que estavam na igreja também foram mantidas reféns e agredidas, de acordo com informações do G1.

O padre Paschal está à frente da paróquia há 20 anos, e embora já tenha sido assaltado diversas vezes, disse que nunca havia vivido uma situação como essa. “Os assaltantes deram tapas em todos, são jovens fortes e violentos. Não sei quantos foram porque fiquei nervoso e, como fiquei deitado no chão, não deu para ver”, contou à reportagem.

A ação violenta e desrespeitosa é fruto da falta de temor a Deus e noção do valor da vida: “Fiquei uma semana no hospital, pois a minha pressão baixou. Tiveram que colocar marca-passo e eu cheguei na casa paroquial na sexta-feira, e no sábado aconteceu isso”, lamentou, acrescentando que apesar de estar bem, tem medo de que os marginais voltem.

Os itens roubados durante a invasão da igreja foram um carro Gol, de um casal de fiéis que estava no local, celulares, um computador desktop, um notebook, e objetos pessoais das vítimas. Posteriormente, a Polícia Militar localizou o carro abandonado em um bairro vizinho. No entanto, os policiais não têm pistas de quem seriam os assaltantes ou onde encontra-los.

Recorrência

Diversos casos de invasão de igrejas católicas e destruição de imagens têm sido registrados Brasil afora. Um dos casos mais violentos foi registrado em Cajazeiras (PB), quando um grupo de evangélicos invadiu uma igreja, quebrou a imagem de Aparecida e urinou sobre ela.

À época, o responsável pela paróquia Santo Antônio, padre Quirino, acusou evangélicos da cidade de promoverem perseguição religiosa: “Estão fazendo a cabeça das crianças para repudiarem Nossa Senhora. Estão também chamando os católicos de baratas pretas”, relatou o padre, que denunciou os fiéis da denominação do pastor Luiz Lourenço, conhecido como Poroca, como responsáveis pelas agressões e vandalismo.


FONTE: Gnotícias em 18/02/2015

Intolerância religiosa afasta professora de escola na Praça Seca, na Zona Oeste


Adereço do candomblé gerou confusão e aluna acusa docente de constrangimento
 

A intolerância religiosa provocou mais uma vítima em escola no Rio de Janeiro, desta vez uma menina de 11 anos, aluna de um colégio particular na Praça Seca, em Jacarepaguá, Zona Oeste.

Iniciada no fim do ano passado no candomblé, religião de seus pais e suas irmãs mais novas, C.T., aluna do 6º ano do Ensino Fundamental, acusou uma professora de constrangimento e de tê-la proibido de assistir à aula com um adereço feito de palha e amarrado aos antebraços, conhecido no candomblé como contraegum.

“Ela disse que eu não poderia ficar na aula porque o contraegum não fazia parte do uniforme e eu, sem saber o que fazer, saí de sala”, disse a estudante, abatida.

A mãe de C. contou que se assustou ao ir buscar a filha na escola, na quinta-feira passada. Disse que a garota estava acanhada e, ao ver a mãe, começou a chorar sem saber o que fazer. Orientada pelo advogado da família, a mãe foi à 28ª DP (Campinho) prestar queixa contra a escola e a professora.

“Se ela não pode usar uma fita no antebraço, por baixo do uniforme, outras crianças também não podem usar pulseiras, cordões e medalhas. O que vale para um tem que valer para todo mundo”, disse a mãe da criança.

O babalorixá da família, Pai Marcus de Oxóssi, bisneto da famosa Mãe Menininha do Gantois, lamentou que ainda tenha que conviver com preconceito e intolerância, principalmente em escolas, onde o que deveria ser ensinado é o oposto.

“Infelizmente, em pleno século XXI, temos ainda casos e mais casos de intolerância religiosa”, disse o babalorixá.

A polêmica, desta vez, parece ter sido contornada sem a necessidade de intervenção judicial. A família da jovem foi procurada pela escola, e informada que a professora foi afastada do cargo. Também foi oferecida uma bolsa de estudos à aluna.

“A escola entendeu o problema e procurou se redimir. Isso é importante para servir de exemplo para os alunos”, disse a mãe da estudante.


FONTE: O Dia em 11/02/2015

Pedra de Xangô é homenageada durante caminhada


O toque do ijexá e o ritmo cadente do caminhar anunciaram a chegada da força iorubá na sexta edição da Caminhada da Pedra de Xangô. A marcha reuniu cerca de 500 adeptos do candomblé na manhã de domingo, 8, no bairro de Cajazeira 10.

Organizado pela Associação Pássaro das Águas, que congrega terreiros dos bairros próximos, o evento pede o fim da intolerância religiosa e a proteção oficial da rocha sagrada.

No último dia 10 de novembro de 2014, a pedra foi alvo de um ataque, no qual vândalos picharam, jogaram sal grosso na rocha e destruíram várias oferendas depositadas lá.

Grupo de trabalho

Para saudar a divindade Xangô - orixá da justiça, dos raios e dos trovões -, que dá nome ao altar, oferendas foram entregues no local pelos filhos de santo.

A ialorixá Iara de Oxum, presidente da associação, diz que os ataques à pedra, por evangélicos, começaram após a primeira caminhada, em 2010.

"A intolerância sempre existiu. Queremos proteção, porque ali é uma reserva religiosa e ambiental. Todos os fundamentos da nossa religião estão no meio ambiente, na natureza", cobra.

Segundo a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, Vera Barbosa, órgãos estaduais e municipais integram um grupo de trabalho para discutir uma política de proteção ao monumento religioso.

"Estamos envolvendo a comunidade para que haja uma decisão unilateral do poder público", ela diz.


FONTE: A Tarde em 09/02/2015

Cristãos são presos na Índia por protestarem contra ataques a igrejas

Cristãos são presos na Índia por protestarem contra ataques a igrejas. Centenas de cristãos foram detidos em Nova Deli, capital da Índia nesta quinta-feira (5), por protestarem por uma melhor proteção do governo após uma série de ataques a igrejas.

Os manifestantes se reuniram ao redor da Catedral do Sagrado Coração, perto do Parlamento Indiano. Equipes da polícia prenderam mais de 350 pessoas pessoas por ‘reunião ilegal’. “Eles não tem permissão para protestar lá”, disse Mukesh Kumar Meena, um oficial da polícia.

Os manifestantes disseram que não estavam cometendo nenhum tipo de violência. “Nosso protesto exigia que o governo investigasse a violência contra os cristãos, porque não confiamos na polícia para investigar isso corretamente”, explicou John Dayal, um ativista indiano dos direitos humanos que estava entre os presos.

Apesar das promessas do governo em proteger a liberdade religiosa na Índia, os cristãos de todo o país foram alvo de uma série de ataques no ano passado.

A única igreja cristã na aldeia de Tadur, em Telengana, foi incendiada por radicais hindus no início de janeiro. Várias igrejas também foram alvo na capital indiana.

“Esta série de ataques nas igreja de Nova Deli é apenas uma amostra do que os cristãos em toda a Índia estão enfrentando. Nas áreas rurais da Índia, igrejas são queimadas, cristãos são espancados, e as tentativas de conversão forçada se tornaram comum. O governo nacional da Índia se manteve estranhamente silencioso sobre a questão da intolerância religiosa, ainda que ela afete milhões de seus próprios cidadãos “, disse o gerente regional do Concelho Cristão Internacional, William Stark.

FONTE: Amigo de Cristo em 08/02/2015